sexta-feira, 10 de outubro de 2008

SALMO 40:1-3


SALMO 40

"Ao mestre da música. Um salmo tão precioso foi entregue de modo especial ao mais hábil dos músicos sacros. A música mais nobre deve ser tributada a um assunto incomparável. A dedicatória mostra que o cântico foi feito para o culto público, e não foi composto para hino pessoal, como poderia se supor do emprego da primeira pessoa do singular. Um salmo de Davi. Conclusivo quanto à autoria: elevado pelo Espírito Santo à região de profecia, Davi foi honrado ao escrever com respeito de um muitíssimo maior do que ele próprio”(Spurgeon).

UMA ORAÇÃO DE DEPENDÊNCIA

O Salmo 40 inicia com uma clara declaração da oração feita e da resposta confiantemente esperada: “[...] Ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor”. A oração tem destino certo na vida do cristão: é dirigida ao Pai; a resposta também tem sua direção: vem do Pai para o filho que clama.

O inicio do Salmo nos mostra que há um tratamento de lapidação no caráter de quem ora, pois a resposta nem sempre é obtida de forma rápida e no tempo que humanamente precisamos. O homem que ora (todo o Cristão deve fazer isso) deve ter em mente que Deus resposnde segundo seu eterno e alto propósito para vida do Cristão. A paciência na espera já denota dependência e a certeza de que Ele ouve. O Senhor sabe da limitação humana e, de que muitas vezes nossas angústias são frutos de nossa impossibilidade de descansar, de confiar, de olhar para Sua eterna Soberania e de que em tudo Ele sabe o que faz, inclusive na aparente demorada resposta. No entanto o Senhor não se apressa para ‘nos livrar da angústia’, Ele deseja e trabalha para que passemos todas as fases necessárias ao amadurecimento do caráter segundo Cristo em nós.

"ESPEREI COM PACIÊNCIA PELO SENHOR"

A oração deve estar intimamente associada ao nosso reconhecimento de quem Deus É. Davi reconhecia Deus como o seu Senhor. Senhor dirige o nosso pensamento Àquele que tem o nome admirável sobre a terra (Sl. 8:1), que coordena e conhece todas as coisas; que merece nossa confiança; a quem deve ser dirigdo os clamores, intercessões, petições, orações.

A chegada do cristão ao trono da graça (Hb. 4:16; 10:19-22) já é uma prova de que temos esperança – de que esperamos algo. A esperança tem um ponto de partida, isto é, ela é a prova de que desejamos alguma coisa, de que temos em mente alcançarmos um objetivo, de que há algo em nossos desejos que apontam a necessidade de alcançar um alvo, uma vitória, um prêmio, uma solução, uma resposta. Na verdade não há esperança sem um objetivo, sem um alvo.

A esperança, no sentido bílbico cristão, é a virtude que vem após a fé depositada em Cristo (Rm. 5:2), não podemos definir quanto a isso, nem tempo, nem espaço. É algo realizado no espírito humano, por obra do Espírito Santo, e está intimamente ligada ao sacrifício de Cristo pelos nossos pecados (Rm. 4:25). Assim vemos que a origem da verdadeira esperança está em Cristo.

Paulo mostra que nós fomos justificados pela fé, conduzidos mansamente a paz por meio de Jesus Cristo, e levados amorosamente à sala da esperança na grandeza de Deus (Rm. 5:1-2). Dessa forma fica claro que a esperança, entre a fé e o amor, é a virtude que começa a fazer parte da vida do Cristão desde o seu primeiro passo de fé (I Co. 13:13).

O Cristão, ao nascer de novo, entra no caminho da esperança ajudado pelo Espírito Santo (Rm. 15:13). Porém a esperança é uma virtude que está no início da caminhada, dessa forma, ainda imatura, e é aperfeiçoada no decorrer da peregrinação, passando pelo caminho: das tribulações, da perseverança, da experiência, e esses três momentos ancorados na esperança e ao mesmo tempo em direção à esperança aperfeiçoada (Rm. 5:2-4); no escrever do Apóstolo, uma esperança abundante: “[...] para que abundeis na esperança pelo poder do Espírito Santo” (Rm. 15:13).

A esperança tem alvo, e quando obtemos a resposta é inconfundível, não tem confusão, muito menos qualquer sombra de dúvida (Rm. 5:5). A esperança traz consigo a convicção.

Todo o Cristão espera: vitórias nas tribulações; vencer o inimigo; manter-se em pé; ser cheio do Espírito Santo; ser guiado pelo Espírito Santo; ter vitória pessoal, familiar; a volta de Cristo. Na verdade a vida cristã é um viver e um andar em esperança.

Davi confessa que esperou pelo Senhor. A sua espera foi ou não um tanto longa, já que muitas vezes o homem mede as coisas pela angústia, pela urgência de uma resposta diante de uma determinada situação de infortúnio. Mas ele esperou com paciência: “Esperei com paciência pelo Senhor [...]”, a esperança de Davi estava fundamentada em Deus - ... pelo Senhor; é uma demosntração de total dependência; é a prova de que Davi conhecia sua estrutura psicológica e emocional; reconhecia Deus como Criador e como Aquele que conhece a estrutura humana (Sl. 139:23; 139:15-16; 103:14; 138:7-8). A Bíblia registra semelhante espera do Patriarca Abraão: “E assim, tendo a Abraão esperado com paicência, alcançou a promessa” (Hb. 6:15).

Paulo falou que a verdadeira esperança consiste em esperar algo que não vemos, e esta esperança se dá com paciência (Rm. 8:25). A esperança cristã é baseada unicamente na promessa divina.

Os Apóstolos Tiago e Pedro usam a palavra perseverança. Perseverança é paciência, firmeza, fortaleza, e está ligada à esperança, pois só se persevera em algo que se espera, que tenha resultados benéficos. Tiago falou que enquanto a fé é provada a perseverança é desenvolvida, isto é, o Cristão se fortalece, se firma, aprende a paciência. A perseverança tem um alvo pré-definido no propósito de Deus para seus filhos e deve ter o seu fim alcançado, ao contrário haverá falta (Tg. 1:2-4; II Pe. 1:3-9). É importante notar o objetivo do agir de Deus: “Ora, a perseverança deve terminar a sua obra, para que sejais maduros e completos, não tendo falta de coisa alguma” (Tg. 1:4 – grifo meu).

Na espera paciente e perseverante deve o Cristão ter em mente, que a sua missão vai além túmulo, assim não podemos ver as aflições e provações como algo somente para esta vida, mas como um preparo para agora e para a eternidade (II Pe. 1:10-11).

“Ele se inclinou... e ouviu o meu clamor”A resposta de Deus é certa quando o Cristão clama. O Senhor olha aquém e além das nossas capacidades. Sua grandeza e soberania não o limitam quanto ao ouvir e responder as orações a Ele dirigidas, conquanto sejamos fracos e falhos.

A grandeza de Deus não é somente vista em Suas infinitas, conhecidas ou desconhecidas obras; mas também em Sua alegria em responder aos Seus filhos. Isaías diz que Ele vivifica os abatidos de espírito e os de coração contrito (Is. 57:15; 66:2; Sl. 51:17). Na verdade a angústia do filho clamando ao Pai faz com que se revele cada vez mais e de forma mais profunda à nossa finita mente os cuidados do Pai.

O ato de clamar mostra que o Cristão precisa do socorro divino. Revela a fragilidade do homem e a grandeza de Deus. E é a isso que Deus prazeirosamente se inclina para ouvir e responder segundo Seu grande e terno amor.

“TIROU-ME DE UM LAGO HORRÍVEL, DE UM CHARCO DE LODO... FIRMOU OS MEUS PÉS”

A condição em que se encontrava Davi era bastante difícil. Sua situação era de abandono e em lugar de extrema necessidade.

Talvez questionamos o porquê Deus nos permite estar em situação assim. O lago horrível e o charco de lodo apontam para um momento muito difícil e a incapacidade de poder vencer por si só. Foi dessas condições que Davi clamou, buscou socorro; era um momento de desespero e urgente acolhimento. Spurgeon diz que há um certo tipo de aranha que faz uma cova na areia, aloja-se no fundo e fica à espreita esperando os insetos que caem ali. Talvez em condição semelhante encontrava-se Davi: perdido num lamaçal onde o inimigo estava a escondida procurando lhe tragar.

A espera, por vezes parece ser um tanto antagônica, isto é, parece haver imcompatíbilidade da resposta em relação ao que pedimos: sabemos o que pedimos e nos angustiamos diante de Deus com as angústias que nos movem a alma, mas não sabemos como será a resposta do Senhor, e Ele geralmente nos surpreende com a Sua resposta, pois Ele opera além do que pedimos ou pensamos (Ef. 3:20; cf. Is. 55:8; Jr. 29:11). Conquanto “não sabemos o que havemos de pedir como convém” (Rm. 8:26), Deus não conhece somente nossas necessidades descritas, mas conhece muito além delas; Deus responde segundo a intenção do Espírito Santo que por nós intercede (Rm. 8:26-27).

Os benefícios da resposta pacientemente esperada transcendem as perspectivas humanas. A angústia de Davi e sua paciente espera parecem que tinham minado os seus pés: a fé e a esperança. Via-se ele trêmulo e apavorado diante de terríveis provações e a aparente quietude de Deus. Mas, porém quando Deus responde, Ele o faz de forma que toda a estrutura de Davi seja restaurada, sua fé é reavivada, reafirmada em Deus e sua esperança é totalmente correspondida.

A fé e a esperança, como pés, fala de uma estrutura espiritual que só poder ser firmada na Rocha, e essa Rocha é Cristo. Não existe verdadeira fé e esperança fora dEle. Davi, pela revelação do Espírito, aponta para Aquele que é poderoso para nos firmar, para ser a base amovível da nossa confiança. Quando Davi obteve a resposta, isto é, a intervenção divina, obteve o seguro necessário que sua alma anelava: de um lago horrível para firmeza dos pés na Rocha; de um charco de lodo para um caminhar de passos firmes. Era tudo o que Davi precisava, era a resposta perfeita diante de uma espera paciente.

“PÔS UM NOVO CÂNTICO NA MINHA BOCA, UM HINO DE LOUVOR”

Como disse acima, a resposta de Deus vai além do que pensamos ou pedimos. Davi rejuvenesceu-se por completo quando viu os seus pés firmes e seus passos em direção segura. Porém Deus tinha mais, muito mais.

Por vezes no meio do vendaval o cântico se torna um murmúrio de clamor e gemidos. São momentos em que a adoração é externada numa confiança depositada no Deus que pode redimir. Coré ansiava pela presença constante de Deus, desejava o Seu amor de dia, e na noite escura da prova, dizia, que a oração seria a sua canção (Sl. 42:8).

O novo cântico, o hino de louvor, falam do júbilo renovado. A alma de Davi se viu em emaranhados de angústias e apertos, porém agora se via a cantar o cântico da vitória, era um cântico totalmente novo, até o momento desconhecido para ele, era o cântico que veio pelo Espírito Santo; o hino que exaltava a Deus como criador, remidor, sustentador, ouvidor, renovador, soberano, onisciente, onipresente, onipotente. Só Ele é capaz de firmar os pés daquele que nEle confia.

São louvores que vem para confirmar a vitória, e ainda revigorar para novas conquistas em nome do Senhor. Semelhante cântico e semelhante hino tiveram Moisés e Miriam (Ex. 15:1-22); Josué e Israel (Js. 6:15-16); Débora e Baraque (Jz. 5:1-32); Jesus Cristo (Mt. 26:30); Paulo e Silas (At. 16:25).

A vitória do Cristão vai além dos seus limites, ela exlata ao Senhor e torna o nome de Deus ainda mais conhecido e temido: “[...] Muitos o verão, e temerão, e confiarão no Senhor”.

É essa vitória que o Senhor tem para os salvos! Quem espera com paciência pelo Senhor é bem-aventurado!

Em Cristo,
Adriano Wink Fernandes

4 comentários:

DANILO E DANIELA disse...

A paz do Senhor ir. Adriano, muito boa a mensagem do sl 40.
Sem duvidas precisamos aprender a ter esta mesma esperança que o salmista. Deus continue abençoando sua vida e familia. Abraços!

marcos pires disse...

maravilha!!menssagem do cèu,,,,

marcos pires disse...

Pe 1:3,4: Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós,”

Alegrai-vos na esperança – esperança = esperar com entusiasmo

“Romanos 12:12 Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração;”

2 – Vai ter que ter paciência = suporta o infortúnio, as dores sem queixa e com resignação.

“Romanos 8:25 Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.”

“Salmo 40:1 [Salmo de Davi para o músico-mor] Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.“

Paciência traz o equilíbrio, ao contrário da ansiedade (afobar) e do desânimo (derrotar). A paciência segura a ansiedade e não te deixas afobar, nem ao desânimo te derrotar.

3) Esperança = esperar com dinamismo de maneira entusiasmática. Esperar com tranquilidade. Esperar em Deus = aprender a não ser precipitado.

Como eu sei que não sou precipitado? 2 princípios:

Anônimo disse...

Sempre é bom ler e aprender da palavra de DEUS