domingo, 8 de novembro de 2009

CARTA A FILEMON

Carta a Filemon
Esta carta provavelmente foi escrita no mesmo ano que a carta aos Colossenses (62 d.C.). Esta foi levada por Tíquico (Cl. 4:7) e Filemon foi levada pelo próprio Onésimo.
Conforme Cl 2:1 Paulo não tinha estado pessoalmente nesta igreja. Nesta época Paulo estava preso em Roma, e contava com mais ou menos 60 anos de idade.
A escravidão era algo tão normal nessa época e ninguém pensava em aboli-la; o escravo era considerado como uma ferramenta viva, não uma pessoa.
Paulo usa do amor de/em Cristo para levar Onésimo ao conhecimento do Evangelho. Consequentemente leva Filemon dar-lhe o devido perdão, também conforme o Evangelho. Paulo age mais como um pai, dessa forma não faz uso de sua autoridade apostólica (vv. 8,9); o que é diferente do visto em Colossenses (Cl. 1:1).
1. A igreja
Para que a igreja desenvolva sua missão é necessário que ela esteja sujeita a alguns requisitos.
1.1. À sua frente tem que ter um homem com ministério
Paulo fala de Arquipo – “Atenta para o ministério que recebeste do Senhor” (Cl. 4:17; cf. Fl. 1:2).
O pastor como apascentador e mestre (Ef. 4:11), está à frente da igreja para que junto com os outros ministérios, levar a igreja ao “aperfeiçoamento, edificação e unidade” (Ef. 4:12-13).
Podemos ver isto em Timóteo e Tito:
Em Éfeso, Timóteo é exortado a defender a igreja das doutrinas falsas, ensinar e levar a igreja a viver “no amor, com um coração puro, uma boa consciência e a fé não fingida” (1 Tm 1:5);
Tito é deixado em Creta “para que pusesses em boa ordem o que ainda resta” (Tt. 1:5).
O pastor deve comunicar todo o conselho de Deus objetivando que o bem de Cristo seja notório a todos (Fl.1:6). Esse é um modelo deixado pelo próprio Cristo: “Ensinado-as (processo do ensino) a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado [...]” (Mt. 28:20 - inserção minha).
1.2. A igreja deve estar (continuamente) preparada para diversas situações
A igreja com um ministério profícuo torna-se cada vez mais preparada para lidar com situações diversas
O ensino gera profundeza de caráter e generosidade de alma, é através do ensino que o cristão descobre a sua parte no Corpo de Cristo e atua dentro da vocação ou dom que possui. Isto é muito bem visto no ministério de Cristo. Os Discípulos atuaram conforme a vocação e dons recebidos.
Paulo escrevendo a carta a Filemon diz: “Oro para que a comunicação da tua fé seja eficaz no conhecimento...” (Fl. v. 6). A correta comunicação da fé traz benefícios que enriquecem todos os que ouvem. Na carta aos Colossenses Paulo fala sobre algumas coisas indispensáveis a ser comunicada para todo cristão (Cl. 3:12-14):
a) Compaixão: a manifestação de sentimentos ternos e compassivos, em desejos e atos;
b) Benignidade: denota um espírito amigável e ajudador que procura suprir as necessidades dos outros;
c) Humildade: é o reconhecimento da própria fraqueza, mas também do poder de Deus;
d) Mansidão: é a qualidade de manter os poderes da personalidade sujeitos à vontade de Deus, mediante o poder do Espírito Santo;
e) Longanimidade: denota a mente que se controla um longo tempo antes de agir, sofre injustiças ou passa por situações desagradáveis, sem vingança ou retaliação, mas com a visão ou esperança de um alvo final;
f) Amor: “vínculo da perfeição”. Vínculo é aquilo que mantém duas coisas unidas.
O Apóstolo Pedro fala mais ou menos das mesmas qualidades em sua 2ª carta 1:4-8, exortando que estas coisas devem ser acrescentadas à Fé que deve ser acompanhada de virtudes.
1.3. A igreja em condição de perdoar
A igreja tem a responsabilidade de mostrar pelos atos o que prega. O amor e a fé devem ser mostrados através do serviço cristão (v. 5-11). Conforme o v.7 Paulo traz a tona o resultado da comunicação do Evangelho, ressaltando que o amor produz gozo e consolação, e que quando o coração dos santos é reanimado está pronto para o trabalho e até mesmo o sofrimento – não devemos esquecer das coisas que fizemos para Deus, que causaram impacto e mudança na vida de outros (10-11).
Em Filipenses 1:9,11 lemos “Esta é minha oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção... cheios do fruto de justiça” o amor deve “aumentar mais e mais”, isto é, através do amor a igreja é conduzida de modo ininterrupto pelo caminho do crescimento, neste caso nas relações uns com os outros e com o mundo, conduzindo pelo caminho do discernimento, isto é, pela percepção espiritual, relativa a aplicação prática (Fp. 1:9).
2. O poder do Evangelho
2.1.
Quem era Onésimo
O v. 11 diz que Onésimo foi inútil. Sendo escravo e fugitivo restava-lhe, pelos meios da época, unicamente a pena de morte. Paulo arriscou a própria vida ao acolher Onésimo e não entregá-lo para o devido castigo.
A igreja deve ser capaz de entender as necessidades espirituais do pecador não arrependido. A situação de Onésimo como fugitivo era muito difícil, mas Paulo consegue, através do Evangelho, resolver a situação espiritual, moral e de escravo de Onésimo.
Onésimo, como fugitivo, estava moralmente decaído e além de tudo tinha causado prejuízos ao seu senhor, possivelmente furto. O Evangelho não faz as coisas por metade. Onésimo tinha uma dívida com seu senhor, e isto tinha de ser resolvido. Por mias que sentisse receio em voltar ao seu senhor, Paulo com amor de pai resolve o problema, intercedendo por Onésimo e mostrando que se tornara um homem de confiança, e afirma que podia lançar em sua própria conta a dívida (cf v. 18). Quando o homem se chega para Deus os problemas são resolvidos, Deus dá soluções.
O poder de redenção do Evangelho é visto nas seguintes afirmações: “Muito útil... servisse... irmão amado” (vv. 11,13,16). Onésimo, após ser gerado na prisão tornou-se “útil, servidor”. Paulo, ao mesmo tempo em que apela ao sentimento cristão de Filemon, coloca Onésimo na responsabilidade de corresponder como “irmão”. A posição de irmão evoca responsabilidades e bênçãos, ou seja, se por um lado a igreja tinha o dever de perdoar Onésimo, por outro, Onésimo tinha o dever de dar fruto de que nasceu de novo. Paulo mostra a grandeza do perdão, visto que o perdão sempre nos conduz por uma solução pela redenção em Cristo, e essa solução gera frutos.
“Venho interceder por meu filho Onésimo, que gerei quando estava na prisão” (v. 10). Paulo diz que foi o instrumento para conversão de Onésimo. O ato de ‘gerar espiritualmente’ consiste em fazer nascer. Envolve evangelismo e ensino. Paulo chama-lhe de filho – isto transmite a ideia de dores de parto (veja Gl. 4:19), e significa que Paulo esforçou-se de forma profunda, levando Onésimo a entender a essência do Evangelho. Dessa forma o poder do evangelho reacende em Onésimo uma esperança a muito abandonada. Tudo isso por que luz a do Evangelho vai entrando em seu interior e revela-lhe a condição de pecador e mostra que essa condição pode ser mudada, mediante a nova vida em Cristo.
A
Em Cristo
a
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Um comentário:

Pastoragente disse...

Graça e paz!
“Andando” por aí cheguei até o seu Blog e quero te parabenizar pela bênção que pude ver aqui.
Já estou te seguindo e será uma honra te receber no pastoragente.blogspot.com.
Se quiser segui-lo vai ser uma alegria pra mim.
No blog conto da forma mais realista e divertida possível as realidades, dúvidas e experiências de uma simples pastora como eu.
Fique na paz. Um abraço.