segunda-feira, 8 de junho de 2009

FRASES E PRÁTICAS ESTRANHAS...

ALGUMAS FRASES E PRÁTICAS, NO MÍNIMO, ESTRANHAS, NO MEIO PENTECOSTAL.

"[...] MAS HÁ ALGUNS QUE VOS INQUIETAM, E QUEREM TRANSTORNAR O EVANGELHO DE CRISTO" GÁLATAS 1:7

- “Sapato de fogo” (para quê?)
- “Cajado de fogo” (para quê? O pastor do Salmo 23 não tinha este cajado).
- “Unção de Ester” (Não entendi).
- “Fogo líquido do céu” (Imagine só!).
- “Cirurgia do céu” (No mínimo, estranho).
- “Receba aí! Receba aí! Recebaaaaaaaaaaa... teu cabelo está crescendo!” (O Profeta Eliseu perdeu este culto - 2 Reis 2:23).
- “Estou sentindo uma bola de fogo neste lugar, tem uma bola de fogo rodando neste lugar. E na bola deste fogo está saindo raio de fogo (entendeu a frase?), e o raio de fogo vai te atingir” (Jamais quero estar num culto assim).
- “Satanás vai tirar a mão da tua família, empresa... porque Deus já arrumou um cordeiro para você!” Depois ele diz “Deus vai tirar a mão. Você precisa crer agora, por que nesta noite Deus vai colocar o cordeiro aí”. (afinal, quem vai tirar a mão? Satanás ou Deus?) (Precisa-se de outro cordeiro? - João 1:29; 1 Pedro 1:19; Apocalipse 5:6, 12).
- “Há poder em nossas palavras. Falou vira profecia. Isto é bíblico!” (A verdadeira profecia está, constantemente, sendo banalizada, e sem escrúpulo algum).
- Transferência: “transfiro os dons espirituais, o ministério, a unção que está na minha vida... receba” (Estão tirando a soberania do Espírito Santo - 1 Coríntios 12:11; Efésios 4:10,11. Para onde iremos?).
- “Consegui tocar em Morris Cerullo” (Quem disse esta frase estava ‘plantado’ em frente ao elevador esperando Morris Cerullo descer para tocá-lo. Após tocar ficou caído no chão (caiu no espírito?). Este é o que faz as transferências espirituais citadas acima). (Timóteo andou com Paulo, mas foi edificado ministerialmente pelo Espírito, a Palavra e a Oração. Era filho espiritual de Paulo, mas nunca disse ter ‘tocado’ em Paulo – leia Atos 16:1-18).

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Em Cristo,
Adriano Wink Fernandes

quarta-feira, 27 de maio de 2009

COMO MUDOU O CULTO


Quando eu era mais moço lembro-me que tínhamos o culto de doutrina, ou culto de ensino. Era na terça-feira, e a igreja se reunia unicamente para um momento de oração e outro momento para estudo ministrado pelo pastor. Para dar início ao culto era cantado unicamente um hino da Harpa Cristã. Foi ali e na Escola Dominical que fui me alicerçando na Rocha.
Naquele tempo não havia em qualquer culto, literalmente não havia, lugar para animar o povo; não havia reteté; pregador 'canela de fogo' não exisita; não rolávamos no chão 'cheios do espírito'; não tínhamos músicas para animar o povo ou tornar o convite mais emocionante ou espiritual; não precisávamos 'cair no espírito' para provar que o Espírito estava presente; ninguém soprava no microfone ou movia o paletó sobre ou em direção dos presentes; não se derramava óleo sobre o suposto local doente; não se 'entrevistava' o demônio para confirmar que era ele mesmo, e o que ele queria fazer com a pessoa; etc...
O pregador era um Profeta e verdadeiramente pregava a Palavra e o povo respondia voluntariamente, o Espírito se manifestava e havia liberdade porque Ele estava presente (2 Co. 3:17). Não havia intermináveis cânticos e as incessantes ordens do ‘ministro do louvor’ (pois não havia ministro de louvor) para que a igreja liberasse uma palavra, profetizasse sobre o irmão ao lado. Havia equilíbrio em todos os acontecimentos do culto, tudo dentro direção do Espírito Santo.
Era comum a pregação ou o louvor ser educadamente interrompido por um irmão ou irmã que era ‘tomado (a)’ pelo Espírito Santo. Levantava-se sem gritos e alardes e falava em voz suave e clara o que o Espírito ordenava – toda igreja silenciava e ouvia reverentemente. Após, ‘caia’ como que uma suave brisa sobre a igreja e havia renovo, quebrantamento, e genuínas manifestações do Espírito Santo. E o pregador continuava sua pregação. Era um culto genuinamente espiritual.
Lembro-me que tempos mais tarde, numa das tardes da semana, iniciou-se o culto da vitória. Em poucos dias estavam ungindo pessoas possessas de demônios; ungindo ou orando por carteira de trabalho; orando por peças de roupas; orando por fotos; fazendo novenas ou a campanha das sete semanas; correntes. Assim, tantas outras inovações que até então desconhecíamos totalmente, entraram pela porta da frente da igreja e sem escrúpulo algum foi recebida nos altares - eram 'mistérios de Deus'. Não podiam ser julgados - Deuteronômio 29:29 era o versículo chave para muitos não oporem-se a tais modismos.
Até então éramos pentecostais bíblicos, centrados na Palavra, não íamos além do que estava escrito (1 Co. 4:6). Mas parece que estávamos entrando no caminho dos crentes da Galácia, e sendo inquietados (Gl. 1:6,7) – infelizmente não tínhamos um Paulo para nos acordar, e outro evangelho foi bem vindo. Inquietados pelo pseudopentecostalismo que veio com uma onda de inovações: novas revelações; modismos; sopro do espírito; unção do paletó; cair no espírito; teologia da prosperidade e tantas experiências (ditas espirituais) sendo colocadas acima da Palavra. Éramos bereanos, mas começávamos abandonar deliberadamente e sem escrúpulo algum a Palavra - "a Escritura divinamente inspirada e proveitosa" (2 Tm. 3:16,17); paramos de conferir se as coisas eram realmente assim, e não comparávamos mais as coisas espirituais com as espirituais (At. 17:11; 1 Co. 2:13).
A igreja Pentecostal, no Brasil, vive hoje um momento crítico basicamente por se alienar do estudo da Palavra. Alguns teólogos definem a igreja brasileira como “teologicamente fraca”. Há mais interesse em milagres, movimentos, louvorzão, 'adoração', bênçãos e mais bênçãos, mas pouco há na igreja estudos bíblicos (no sentido lato da palavra) – exceto na Escola Dominical. Não falo de momentos especiais para estudo. Refiro-me ao dia a dia da igreja, aos cultos normais da semana; deveriam ser mais regados a mensagens cristocêntricas, expositivas, bibliocêntricas, para que o povo fosse edificado e o objetivo de Cristo para a Igreja fosse plenamente alcançado (Ef. 4:11-15).
Tenho escutado muita mensagem que fico pensando porque o pregador ‘pregou’. Pois não há uma definição na ‘pregação’, não se entende o que o pregador quer dizer, vai sendo preenchida com exemplos daqui e dali e nada que confirme a palavra pregada com a Palavra escrita. Muitas vezes parece que o momento da pregação tem que ser preenchido com qualquer coisa. O povo, no momento do louvor, foi “elevado ao Santo dos Santos” que alguns dizem: por mim, poderíamos dizer o Amém deste culto, pois já estou satisfeito. Amém igreja?! (imagine o pregador levantar-se para pregar e dizer isso?! Força de expressão? Vamos parar de forçar tanto assim!).
O povo recebe ordem a todo o momento para fazer isso ou aquilo, dizer isso ou aquilo; isso somado à confissão do ‘humilde’ pregador: não sei porque estou falando isso, “mas Deus sabe”, Ele me manda falar, e eu falo; algo tem que ser feito para mexer com o povo, aí entra todas estas inovações, modismos, e tantas coisas que temos visto na igreja: dê glória; dê aleluia; cutuque o irmão ao seu lado; batam fortes palmas para Jesus... mais forte; tem fogo aí? Hoje Deus vai falar; tem um anjo de fogo passeando aqui; etc.
Tempos atrás fui ministrar um estudo sobre o Fruto do Espírito. Na segunda noite havia um casal cantando, aqueles bem ‘despertados, cheios de unção’. Como não tiveram oportunidade para apresentar-se e o estudo não fazia de jeito nenhum o tipo enfogueirado deles, certa altura ele conversou com a sua esposa: ele não vai parar? Já não aguentavam mais, o culto não estava de fogo, o povo não estava se sacudindo para todo o lado, não havia reteté.
Se os pastores e pregadores se dessem ao nobre trabalho de preparar estudos centralizados na Palavra, os crentes seriam mais maduros, edificados, fortalecidos no homem interior (Ef. 3:16). Seriam cheios do Espírito Santo, mas não aceitariam pregadores da nova unção, do diz-isso-ou-aquilo, do profetize agora, do positivismo, não precisariam cultos da vitória, da restituição, do milagre, pois todos saberiam que não é numa campanha de semanas ou dias que a vitória será alcançada. Desejariam viver e andar no Espírito (Gl. 5:16,25).
Em uma Escola Dominical levantou-se uma discussão sobre estes modismos no culto e sobre o culto da vitória, da restituição, da bênção, do milagre. É quase que unânime a posição dos irmãos leigos que algo está errado. Por mais que o professor não tenha se pronunciado o desejado na questão (digo desejado no sentido de esclarecer as coisas dentro da Palavra (já que era uma Escola Dominical)), pude sentir a interrogação que paira sobre a cabeça da maioria dos irmãos com relação a estes modismos: algo está errado e precisa ser mudado!
Lembremos que Israel foi repreendido pelo Senhor porque estava sendo destruído por falta de conhecimento: “O meu povo é destruído porque lhe falta o conhecimento. Porque tu rejeitaste o conhecimento [...]. O povo que não tem entendimento será transtornado” (Os. 4:6,14 – grifo meu – cf. Jo. 5:39; 2 Pe. 3:17,18; 2 Co. 11:3).
Ainda creio que voltaremos ao culto como no princípio. Ainda creio que teremos o culto conforme descrito em 1ª Coríntios capítulo 14. Os pregadores do reteté, da profetada, dos diz-isso-ou-aquilo não terão mais espaço. Ainda oro, creio e espero!

Em Cristo
Adriano Wink Fernandes

segunda-feira, 25 de maio de 2009

PEÇA O MELHOR PARA DEUS

“Duas coisas te peço, ó Senhor; não as negues a mim, antes que eu morra: afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza, mas dá-me só o pão que é necessário, para que de farto eu não te negue, e diga: quem é o Senhor? Ou empobrecendo, não venha furtar, e profane o nome de Deus” (Pv. 30:8,9).

Estamos vivendo o tempo da “abundância de Deus”, alguém defende com ‘unhas e dentes’ na sua calorosa ‘pregação’, tudo depende da semente de fé. “Pegue o envelope, escreva seu pedido de oração, coloque uma boa semente – em dinheiro, é claro – e exorta (olhe o tamanho da semente que você vai semear)”... Um famoso evangelista recebe uma ‘tremenda revelação’ e lança um livro onde expõe a grande revelação de que Deus há de transferir riquezas e mais riquezas para a igreja neste tempo do fim – afirma: “o que os megaespertalhões ricos e bilionários tem acumulado será redistribuído por Deus para igreja”. Na página onde consta os agradecimentos da obra lemos as impactantes palavras: “extraordinário livro [...] visão revolucionária e impactante [...] a leitura deste livro marcará sua vida e trará sobre você inúmeras bênçãos” (somente a leitura já será algo fora do natural. Imagine a prática!).
Outro empolgado pregador diz que devemos determinar sobre nós, nossa família, amigos, e irmãos as bênçãos de Deus; um mais ousado diz: “libere sobre o teu irmão uma bênção... abençoe teu irmão... declare sobre a vida dele tempos de prosperidade, não te cales, creia, seja um profeta de Deus nesta hora” (hoje está tão fácil ser profeta – é só declarar, liberar uma palavra); mais outro, cheio de gáudio, anima uma platéia ávida por vitória: “peça o melhor para Deus... o melhor carro, a melhor casa... com garagem, uma, duas ou até mais. Deus te dará um, dois, ou mais carros... o melhor emprego, o melhor salário... o melhor desta terra é nosso... o tamanho da tua fé determina o tamanho da tua bênção”.
Bíblias São lançadas como verdadeiros manuais para enriquecer, objetivando dar-se bem na vida, ser bem sucedido. Assim, são inumeráveis os pedidos e determinações diante de Deus para que venha o melhor – desta terra – para nós.
Li que bilhões de almas, implicam em assombrosas proporções financeiras, “custará bilhões de dólares alcançar bilhões de almas”. Impactante! Segundo o autor do livro, o trágico, é que há muitos chamados e poucos dólares para enviá-los. Impactante! Pelo que se vê, lamentavelmente, o Reino de Deus está sofrendo sérios prejuízos, e almas estão indo para eternidade sem Deus, unicamente por falta de dinheiro! Veja bem: não é por falta de pregação cristocêntrica, de oração intercessória, de consagração, de estar cheio do Espírito Santo, de culto onde o Espírito Santo esteja presente e fazendo o que Ele quiser, de unidade da Igreja, mas por falta de dinheiro!
Porém, na história da Igreja desde o Novo Testamento não vemos isto. O Evangelho foi propagado sem somas astronômicas de dinheiro; na maioria das vezes, literalmente, sem dinheiro. Uma leitura cuidadosa do Novo Testamento nos mostrará isso:
1. Paulo tinha o objetivo primordial de comunicar o Evangelho, e por vezes isso custou trabalhos sobre trabalhos (para auto-sustento), e com muita fadiga (física mesmo): “Certamente vos lembrais, irmãos, de nosso trabalho e fadiga; trabalhamos noite e dia para não sermos pesados a nenhum de vós, enquanto vos pregamos o Evangelho de Deus” (1ª Ts. 2:9);
2. Paulo tinha o mesmo ofício de Apolo, isto é, fabricantes de tendas (At. 18:3), se servia desse ofício para se sustentar;
3. Paulo, ao sair em propagação do Evangelho, foi suprido em suas necessidades por outros irmãos, diz ele: “Em tudo me guardarei de vos ser pesado, e ainda me guardarei” (2ª Co. 11:9; 12:16a).
Os testemunhos e biografias da história do cristianismo nos mostram a mesma coisa. É só dar uma voltinha por esse brasilzão.
O versículo no início deste artigo mostra a sincera oração: primeiro um coração reto diante do Senhor: “afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa”, depois “dá-me só o pão que é necessário” – preste atenção às prioridades. Hoje há uma inversão de prioridades, muitos querem ser abençoados, enriquecidos, livrados de vários problemas, porém não querem, de forma alguma, relacionamento com Aquele que é Poderoso para abençoar. Nos tempos de Jesus já havia isto (Jo. 6:26,27; 51, 60).
Quem nasce de novo, é nova criatura, tem uma perspectiva primeiramente espiritual, sumamente espiritual, suas prioridades são mudadas: das coisas da terra passa para as coisas do céu (Mt. 6:33; 6:19-21; Gl. 1:3; 4:1-6; Fp. 1:9-11; Cl. 1:9-10; 3:1-3; I Pe. 2:1-5; II Pe. 1:4-11). É preciso termos desejo de conhecermos, isto é, travarmos um relacionamento com o Deus, pois quando conhecermos com intimidade o Deus da bênção seremos gratos por qualquer situação, provação que Ele nos enviar, permitir; teremos certeza que Ele não deixa termos falta de coisa alguma (Mt. 6:25-34; Fp. 4:19).
Estamos, muitas vezes, qual filho que sai de casa, mas não sente falta dos pais, sem, no entanto recusar as benesses financeiras recebidas todos os meses – os recursos são bem vindos, mas o relacionamento íntimo com os pais não faz falta.
Tenho presenciado, pensativo e muitas vezes sem entender, sobre a maioria das campanhas feitas nas igrejas: quase que na sua totalidade envolvem dinheiro ou benesses puramente pessoais, egocêntricas. Todo mundo precisa de dinheiro; todas as pessoas tem uma questão financeira a ser milagrosamente resolvida. Ouvimos testemunhos de dinheiro aparecendo (milagrosamente) na conta bancária; coisas impossíveis de acontecer na área financeira ocorrem da noite para o dia; endividados se tornam livres e abastados num estalar de dedos; o carro que eu tanto sonhava, Deus (?) (milagrosamente) me deu; quando tomei a decisão e iniciei a novena (ou algo parecido – já que cada igreja determina a campanha pelo nome que quer), antes mesmo de terminar, Deus (?) me respondeu. Os casos são tantos. Os testemunhos os mais diversos. Acabei de ouvir um em que o ‘abençoado’ dizia: depois de vir para a igreja tal e fazer a campanha tal só viajo de avião, a minha empresa que estava falida, cresce assustadoramente, está de vento em popa, e conclui: Deus ‘tá rebentando’. Como dizia um diretor, chefe meu, tempo atrás: mas que tal!
Eu não duvido que Deus tenha bênçãos de ordem material, financeira, econômica para dar aos seus filhos (I Cr. 4:10; Pv. 3:9-10; 10:22; II Co. 8:15; 9:8-10). Abraão foi um homem rico; Jó perdeu tudo e Deus lhe deu em dobro; José foi um homem bem sucedido no Egito, pois chegou a ser o segundo em poder no governo; Salomão foi rico e poderoso; conheço irmãos que Deus tem abençoado financeiramente e eles tem abençoado a igreja dessa forma também, além, é claro, dos frutos dignos de arrependimento (Mt. 3:8). Mas uma boa olhada na Palavra de Deus nos mostrará que não foram (e não são) muitos os ricos, os milionários ou bilionários, nem os poderosos que Deus escolheu para a concretização da Sua obra, para o cumprimento do Seu eterno propósito (Dt. 7:7; I Co. 1:26-29; Mt. 4:18-22; Hb. 11: 1-40), certamente para que ninguém se gloriasse nas suas possibilidades. Conheço irmãos que foram verdadeiros desbravadores para anunciar o Evangelho e morreram financeiramente pobres, e muitos doentes. Anunciavam o Evangelho a cavalo, outros andavam quilômetros muitas vezes a pé, no entanto nunca vi eles pregarem sobre riquezas e mais riquezas. Não teria Deus o melhor cavalo para lhes dar? Dessa forma não iriam a pé.
Não sou contra ser abençoado, ou falar sobre riquezas e abundâncias e mesmo tê-las, o que não consigo entender e aceitar como normal e justo, é que na maior parte, a igreja está girando em torno das coisas daqui, como dizem, “o melhor desta terra é nosso”, então, peça o melhor para Deus – pouco se ouve testemunhos de conversões, batismo com Espírito Santo, uma mensagem que tocou profundamente e fez voltar-se mais sincero para Deus, desejoso de um relacionamento íntimo com Deus. Rotineiramente, os maiores cultos são intitulados da vitória, da restituição, da benção, das colheitas, da multiplicação. Dias destes escutava um programa evangélico e uma vinheta anunciava o grande culto intitulado ‘explosão de milagres’. Dificilmente num culto destes há uma exposição séria, senão profunda, da Palavra. Por quê? Não há tempo para isso. Porém a Palavra diz que os milagres confirmam a Palavra (Mc. 16:20), e não que milagres confirmam outros milagres, ou que os milagres confirmam o ministério de quem quer que seja.
“Os apóstolos não agendavam os milagres. Não marcavam cultos de libertação e cura. Não havia previsibilidade antecipada. Não agiam como secretários do Espírito Santo, tentando controlar e manipular a sua agenda. Eles não faziam propaganda dos sinais. Não colocavam faixas anunciando a presença de homens poderosos. Não faziam exposição de seus dotes espirituais. As coisas aconteciam dentro da liberdade e da soberania do Espírito. Eles não desviavam os olhos do povo para a igreja, não trombeteavam suas próprias virtudes. Enfeixavam todos os holofotes sobre Jesus”[1].
Faz tempo que ouço mensagens e apelos triunfalistas, pregações de auto-ajuda, e fico pensando sobre o que realmente é o melhor de Deus para nós, ou o que Deus tem de melhor para nós.
1. Asafe: o melhor de Deus para ele era totalmente oposto a sua visão. Enquanto ele via e deseja a prosperidade do ímpio – e questionava com Deus, tanto na vida quanto na hora da morte, falava da tranquilidade do ímpio, o melhor de Deus para Asafe era que ele estive na dependência divina (Sl. 73:23), fosse guiado pelo conselho do Senhor (Sl. 73:24); desejasse Deus acima de tudo – Deus fosse para ele o mais desejado, o mais excelente (Sl. 73:25); que Deus fosse a sua fortaleza, seu refúgio e que se aproximasse mais desejo (com inteireza de coração) diante de Deus (Sl. 73:26,28);
2. Profeta Amós: o melhor de Deus estava em que ele falasse a Palavra do Senhor, conquanto sua condição fosse de pobreza material (Am. 7:14,15);
3. Estevão, o diácono: o melhor de Deus consistia e não livrar-lhe do martírio, mas que ele suportasse as aflições e mesmo assim pregasse uma profunda e bibliocêntrica mensagem e deixasse um testemunho que impactou seus algozes (At; 7). Parece que nesse início Deus perdeu a oportunidade de provar ao mundo que a Igreja veio para conquistar os melhores espaços desta terra!
4. Apóstolo Paulo: a vontade do Senhor estava em ele padecer pelo nome de Cristo, como também consistia em que ele fosse revestido da maravilhosa graça, mas jamais que lhe fosse arrancado o espinho na carne (At. 9:16; II Co. 12:8-9). E isto lhe dava prazer (II Co. 12:10);
Leio sobre a história de Israel; a história do cristianismo desde o Novo testamento, e me pergunto: por que será que Deus deixou homens e mulheres de fé no Velho Testamento, e apóstolos e crentes do passado enfrentarem necessidades? Por que o Evangelho teve que ser propagado em meio a dificuldades extremas, onde até fome passaram os obreiros e crentes de então? Por que Paulo, o grande ícone do cristianismo, se privou de regalias, e até trabalhava com as próprias mãos para não ser pesado às igrejas? Por que o próprio Jesus, os Apóstolos e Paulo (que foi arrebatado ao terceiro céu), não tiveram a ‘grande revelação’ dos dias de hoje: Deus tem riquezas para você – determine, declare, profetize? Jesus, após a Sua ressurreição, foi revestido de Todo Poder (isso fala de que para Ele não há limites), no entanto não O vemos falando aos Discípulos que Eles seriam prósperos materialmente, que não teriam doenças e que seriam tão influentes em sua mensagem que seriam cabeça e jamais cauda (Mt. 10:19; Lc. 12:11-12; At. 4:1-3, 13).
Às vezes procuro imaginar um culto na Igreja em Jerusalém, ou em qualquer outro lugar nos tempos da Igreja primitiva e do primeiro século; ou ainda na China comunista de nossos dias; no Haiti; no Vietnã, nos lugares paupérrimos da África e em tantos outros no nosso Brasil; onde o pregador empolgado, começasse a dizer para que o povo declarasse, determinasse, profetizasse bênçãos e riquezas sobre a vida de quem quer que fosse – será que o povo entenderia alguma coisa? Eis a indagação: será que Deus não tem as mesmas riquezas para estes filhos, ou eles tinham ou tem, como popularmente se diz, muito ‘pecado para pagar’? Imagino o Apóstolo Paulo dizendo aos irmãos para lançarem uma grande semente (em dinheiro) para terem uma grande colheita. Não dê a menor moeda, dê a maior, que a tua bênção será maior. Porém quando abro a Bíblia, leio Paulo, que diz: “No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade [...]” (1ª Co. 16:2 – grifo meu).
Os cristãos davam não porque eram constrangidos por uma promessa mirabolante, porque eram ‘impulsionados’ a acreditarem que teriam muito mais do que estavam dando, isto é, pensando nos benefícios, mas sim, davam porque isso partia do coração, eram intimamente tocados pelo Espírito Santo, então davam, e davam com alegria (2ª Co. 8:3,5,10,12; 9:6,7). “Os Apóstolos [...] não faziam promessas ao povo de benesses terrenas e temporais, com vistas a atrair multidões. Eles não pregavam um evangelho fácil” [2].
Conforme 2ª Coríntios capítulos 8 e 9, os cristãos davam porque eles tinham gozo, eram ricos em generosidade (dar sem intenção de receber de volta), desejavam servir dessa forma; antes de abundar financeiramente, eles já tinham abundados em fé, ciência, zelo, amor e graça; davam espelhando-se em Cristo, Ele era o exemplo perfeito, queriam imitar o Mestre, queriam dar; tinham prontidão em dar, eram voluntários. Davam porque todo serviço, toda a ação de dar, redundava em glórias a Deus (2ª Co. 9:12-15). Ao combater os avarentos, Paulo fala sobre a proporção de semear pouco e muito.
Muitas vezes ouvimos pregadores dizerem: dê que o Senhor te dará cem vezes mais – e enfatiza: ‘tá’ na Bíblia! Acredito que se baseiam no texto em que Pedro certa vez argumentou com Jesus: “[...] nós tudo deixamos e te seguimos. Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filho, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já no presente, em casas, irmãos, mães, filhos e campos, com perseguições, e no mundo por vir a vida eterna” (Mc. 10:28-30). Esse texto, de maneira alguma corrobora a máxima, em voga nos dias de hoje, de que dando certa quantia em dinheiro, o Senhor nos dará cem vezes mais da quantia ofertada. Se for, o que aconteceu com os discípulos que foram martirizados e todos morreram, literalmente, pobres? Paulo, mesmo sendo cidadão romano não tinha mansão em Roma – alugou uma casa. Tomamos cuidado! A oferta não anula a soberania de Deus.
Acredito e busco o melhor de Deus, porém vejo o melhor de Deus:
- Na Salvação que de graça foi oferecida (Jo. 3:16; Ef. 2:8,9);
- Na vida de renúncia para ser submisso a Deus (Mt. 16:24; Tg. 4:10; 1ª Pe. 5:6);
- Na abundante vida proporcionada pelo Espírito Santo (Jo. 7:38,39; Ef. 5:18);
- Na vitória diária sobre o pecado (Rm. 8:5-14; Gl. 5:16,24,25; Cl. 3:5-10);
- No poder da Palavra em me tornar sábio (119:98-100);
- No poder de Deus em cumprir Seu propósito (Sl. 138:7,8);
- No poder das provações para me tornar maduro e completo (Tg. 1:2-4; Rm. 5:1-5; Fp. 4:10-13; 2ª Pe. 1:1-11);
- Na graça proporcionada para perder tudo, menos Cristo (Fp. 3:8,9,13,14);
- Na busca constante pelas coisas lá de cima (Cl. 3:1-3; Fp. 3:20; 1ª Pe. 2:1-5);
- Na prática de orações e súplicas (Ef. 6:18; 1ª Ts. 4:17).
Acredito que Deus tem bênçãos imensuráveis para alcançar aos que o amam e o buscam, mas há prioridades inegociáveis na palavra de Deus (Mt. 6:33).
Vejamos esta oração de Paulo, pelos crentes de Éfeso (Ef. 3:14-20):
Primeiramente ele faz referência ao Filho e ao Pai:
1. Jesus Cristo é o Senhor (veja Rm. 10:9);
2. O Nome de Deus é poderoso;
Agora ele ora por bênçãos espirituais:
3. Para que sejam “fortalecidos com poder pelo Seu Espírito no homem interior” (veja II Co. 4:16);
4. Para que cristo habite pela fé; esteja constantemente presente nos corações (fé tem o sentido de renúncia, de coragem em servir a Jesus, de entrega total);
5. Para que estejais arraigados, fundados em amor (amor de Cristo);
6. Para que com perfeição conheçam a largura, comprimento, altura e profundidade e conheçam o amor de Cristo;
7. Que sejam cheios da plenitude de Deus. Isso é um longo processo dEle em nós (Cl. 1:6);
8. E encerra dizendo que Ele é poderoso para fazer muito além da nossa limitada capacidade, isto é, Ele é poderoso para nos levar a plenitude de Cristo (Rm. 15:29; Cl. 2:10; cf. Gl. 4:12-16).
Nada substituí o que é espiritual – a prioridade, para o cristão, é o que é do céu (Lc. 12:31).
A minha preocupação é com a indelével evidência que se tem dado às coisas da terra: o melhor desta terra é nosso; você tem que pedir o melhor desta terra; o crente não adoece; você não nasceu para sofrer; um Deus rico – dono do mundo – não tem filhos pobres. Enquanto a ênfase está nas coisas da terra, a pregação se dirige à mente, aí sutilmente entra o positivismo, a determinação, o engravidar, o sonho com a visão do que eu quero, e outras coisas do tipo. Dessa forma o alvo, que é o coração não sente nada, não é atingido.
O propósito do Senhor sempre foi atingir o coração do homem, as atitudes e frutos estão no coração: “Ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração [...]” (At. 2:37; Dt. 6:5 Cf. Mt. 22:37-40; I Sm. 16:7; Sl. 7:9; 19:8; 57:7; 69:32; 139:23; Pv. 4:23; 20:9; Is. 35:4; Jr. 11:20; 24:7; Ml. 4:6; Mc. 7:21 Cf. At. 5:3; Hb. 3:8; 4:7, 12; 8:10; 10:16; Lc. 24:32).
Muitas vezes, pelo que ouço, parece que a nossa pátria é por aqui mesmo, o céu é uma miragem, uma figura de linguagem, uma utopia, pois pouco se tem falado e pregado sobre o céu. Pouco se tem dito sobre as delícias do céu, sobre as coisas do céu. Em razão disso o que é certo tem sido substituído, sem qualquer análise bíblica, pelo que dá certo. Estamos vendo uma irrefreável busca pelos mais variados meios para alcançar objetivos (ditos) espirituais, conquanto não nos preocupamos com estes meios, pois temos dado ênfase aos fins alcançados ou desejados.
Que a oração de Paulo seja respondida, por Deus, sobre nós:
“Por causa disso me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome. Oro para que, segundo as riquezas da glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder pelo Seu Espírito no homem interior, para que Cristo habite pela fé nos vossos corações. E oro para que, estando arraigados e fundados em amor, possais perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef. 3:14-19).


Em Cristo
Adriano Wink Fernandes
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[1] Pentencoste, o fogo que não se apaga. Hernandes Dias Lopes. Candeia
[2] Ibdem

segunda-feira, 18 de maio de 2009

VOCÊ PRECISA CRER (2)

A Teologia na parábola do Filho Pródigo
Veja Você precisa crer (1)
Jesus veio ao mundo trazendo salvação em virtude da queda do homem (João 3:16; Mateus 1:21; 9:12; Romanos. 3:23); o homem, arrependido, aceita a Jesus como Salvador, e passa a viver uma nova vida, isto é, não é mais somente alvo da santificação em Cristo, mas passa a ser o objeto da santificação pelo viver no Espírito (2ª Coríntios 5:17; Hebreus 12:14; Gálatas. 5:16).
falamos sobre a queda do filho pródigo, a sua saída deliberada da casa do pai em direção aos prazeres efêmeros do mundo. Foi uma atitude tomada no coração. As conseqüências da queda foram profundas na vida deste moço, pois o pecado leva ao afastamento de Deus no mais profundo do ser humano, ele altera todo pensar e o fazer, todos os aspectos da natureza humana são afetados pela queda. Ele experimentou a plena liberdade e paz na casa do pai, porém saiu em direção a mais profunda miséria espiritual, emocional, ética, psicológica, física e material, por causa da rebeldia em direção ao pecado. Na verdade, o retrato deste moço é a imagem de cada um de nós, “pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos. 3:23). Os degraus pelos quais passou e a queda que teve, mostram claramente o caminho da queda do homem.
Ao enamorar-se pelo pecado tudo parece belo, inspira liberdade, porém a realidade só é mostrada quando se dá o verdadeiro relacionamento (Gênesis 3:5-9). Segundo Tiago, o pecado é filho da concupiscência que por sua vez gera morte espiritual, jamais a vida (Tiago. 1:15) – o pecado jamais gerou vida, e infelizmente hoje o mundo está querendo a vida e a liberdade através do pecado. Acã só viu a dimensão da sua atitude pecaminosa quando Josué, na direção do Espírito, denunciou o pecado e mostrou o juízo que viria sobre quem o praticou; antes disso o pecado reluzia ouro (Josué capítulo 7).
Se a parábola terminasse aqui estaria incompleta. Não mostraria o caminho da redenção, o meio pelo qual o homem pudesse ser redimido da sua condição pecaminosa. A resposta de Jesus aos fariseus e escribas seria pela metade ou nem isso. No entanto o relato segue e Jesus aponta para o Caminho da redenção, da festa, do júbilo, da reconciliação. E vai além, apontando para o viver cristão. É nesse ponto que entraremos agora.
1. ARREPENDIMENTO
A Salvação foi oferecida por Deus em Cristo para toda a raça humana (João 3:16), é pela graça; é a prova de que temos um alto valor para o Criador, aliás, este valor é visto nas três parábolas. Deus jamais daria seu Filho – Unigênito – para restaurar algo sem valor. Nancy Pearcey diz: “na realidade, é só porque os seres humanos têm este tremendo valor que o pecado é tão trágico. Para início de conversa, se não tivéssemos valor, a queda teria sido uma ocorrência trivial” (simples).
A promessa de redenção registrada em Gênesis 3:15 foi cumprida por Deus – Ele já mostrou e provou a Sua fidelidade independente da nossa condição (Romanos 5:8; João 19:30). O passo que deve ser dado agora é o do pecador: ou aceita, ou rejeita (João 1:12-13; 3:18). O convite é feito através da Palavra anunciada, que, se dado crédito a esta Palavra, ela tem poder de gerar, no coração, a fé para a Salvação em Cristo por obra do Espírito Santo (Romanos 10:17; João 16:8-11).
a) O arrependimento e a confissão estão interligados. O filho pródigo reconheceu seu estado espiritualmente miserável, levantou-se, isto é, tomou uma atitude e confessou seu pecado diante do Pai (Lucas 15:18,21; veja Salmo 32:5; Provérbios 28:13; Romanos 10;9; 1ª João 2:23). O arrependimento ‘gera’ ternura e amor no coração do Pai, pois Ele se deleita na contrição do pecador, isto é, no arrependimento das culpas e pecados (Lucas. 15:20; Salmos 51:17; Isaías 57:15; 66:2). A posição tomada pelo filho foi algo do coração, a sua atitude mostrou o seu arrependimento: ele voltou humilde, disposto a mudar de atitudes, de pensamentos, achando-se (literalmente) indigno de ser recebido como filho (Lucas 15:19); mostrou-se triste por causa do pecado e correu em busca da solução – a Salvação.
b) O arrependimento conduz à Salvação em Cristo, que por sua vez traz benefícios nunca esperados pelo pecador arrependido. O filho pródigo, quando voltou, o máximo que queria, era ser como um trabalhador comum, não desejou nem sequer a posição de filho. No entanto, o Pai, amorosamente lhe deu todos os benefícios de filho. Deus jamais identifica o pecador arrependido como os demais, os Seus filhos Ele os destaca, lhes dá poder para serem filhos de Deus pelo sangue de Cristo Jesus (João 1:12); novas roupas (Gálatas 3:27; Efésios 4:24), calçados (Efésios 6:15), autoridade (Atos 1:8) – todas estas coisas ele perdera por ter voltado-se para o pecado, o inimigo havia lhe roubado e destruído (João 10:10; veja 1ª João 3:8) –; e por fim o banquete da celebração (Lucas 15:7,10,23), é o banquete da alegria pelo retorno do pecador arrependido, é a satisfação que Cristo sente pela obra salvífica, significa que a obra da cruz não foi em vão (Isaías 53:11).
Nancy Pearcey em seu livro Verdade Absoluta (CPAD) descreve o valor do homem nos termos do eterno querer de Deus em nos restaurar ao que originalmente éramos, isto é, antes de pecarmos: a imagem de Deus. Deus jamais se interessaria por algo sem valor, ignóbil. Você já deu tudo ou parte do que tem, seja em dinheiro ou em termos emocionais, por algo sem valor? Deus, para nos salvar, deu o Seu melhor, Ele não olhou para a nossa condição caída, sem valor, destroçados pelo pecado; ao contrário, na atitude receptiva, como da parábola, vemos que Deus espera diuturnamente pela nossa volta, arrependidos. O pecado destroçou o filho, lhe arranhou a imagem paterna, mas mesmo assim o pai o esperou, e esperou até que retornasse e assim restaurou tudo: as emoções que o filho extraviou, as riquezas que ele negociou com o pecado, a imagem deformada pela desobediência. O pai jamais cobrou do filho ou lhe disse que ele nada valia e que o prejuízo era irreparável, jamais! O pai lhe perdoou antes de ele confessar, o perdão não imputa dívida, nada cobra, o perdão de Deus restaura pelo amor através da cruz (2ª Coríntios 5:19; Colossenses 1:20-22).
c) Há três elementos que compõem o arrependimento: o elemento intelectual, o elemento emocional e o elemento pático. Vejamos:
c1) O filho pródigo ‘caiu em si’: ao chegar a esta conclusão revela-se o entendimento de que reconhecera estar no caminho errado, sua consciência lhe mostra que algo estava errado. É o reconhecimento intelectual de que ele estava no caminho errado. Compreendeu que – somente – na casa do pai há abundância de pão – vida (Lucas 15:17; João 10:10), e para isso precisava tomar a decisão de retornar; ele não estava morto fisicamente, mas sim, espiritualmente. O seu estado espiritual era miserável – por causa do pecado, chegou ao ponto mais baixo na convivência com o pecado. Experimentou a deploração, o abandono, a solidão; andar descalço fez lembrar-se do conforto da casa de seu pai. O que vemos é totalmente oposto à atraente liberdade dos degraus da queda pelos quais passou. Ao cair em si, o filho pródigo começa a caminhar pelo degrau do arrependimento. A Bíblia diz: “Hoje, se ouvirdes a sua voz”, ouvimos com os ouvidos, ouvimos a sua voz quando a Palavra é pregada; quando ouvimos somos levados a pensar no que ouvimos. O tempo em que ouvimos é Hoje, que é o tempo de decisão.
c2) Em seguida ele diz ‘levantar-me-ei, e irei’: Algo mexe profundamente em seus sentimentos, ele perturba-se; é o aspecto emocional do arrependimento, ele sente tristeza por ter ofendido a Deus (Pai). Paulo define como “a tristeza segundo Deus [que] opera arrependimento para a salvação, o qual não traz pesar [...]” (2ª Coríntios 7:10). No Evangelho de Lucas 18:18 até 23, temos um exemplo disso. Um jovem se aproxima de Jesus e lhe questiona algumas coisas concernentes à Salvação; ao receber as respostas de Jesus, e por fim um conselho para tirar o seu coração das riquezas que lhe prendiam, diz “Mas, ouvindo ele isto, encheu-se de tristeza”. A Palavra sempre provoca uma reação dentro do homem, porém, a decisão é livre e pessoal (João 12:48; Atos 4:11; Hebreus 12:25).
c3) E por fim “levantando-se, foi para seu pai”: É o elemento prático do arrependimento. Dá “meia volta... volver”, e começa a caminhar em direção à reconciliação, se propõe a mudar de vida, de propósito, e volta-se para Deus, quer produzir frutos dignos de arrependimento (Mateus 3:8). Vemos também, de modo prático, isso na vida de Zaqueu (Lucas 19:1-10). Diz-nos o texto que ele “procurava ver quem era Jesus [...]”. Ele já tinha ouvido sobre a mensagem de Jesus, algo tinha mexido com ele, por fim ele teve a oportunidade de conhecer mesmo quem era Jesus, e por fim Jesus diz: “Hoje veio a salvação a esta casa”.
d) A atitude do filho pródigo, em retornar, demonstrou reconhecimento que somente na casa do Pai havia verdadeira vida (Lucas 15:17). Além de reconhecer, ele tomou resolutamente o caminho em direção ao arrependimento. O arrependimento é “voltar-se para longe de, ou em direção de” (Elias Ribas). Consiste no abandono do pecado, das atitudes ora praticadas, do modo de vida escolhido, da rebeldia deliberadamente aceita, dos desejos da carne, das concupiscências da velha natureza, da incredulidade com relação a Deus e Sua Palavra.
O arrependimento é tão importante que João Batista, o precursor de Cristo, trouxe a mensagem e o batismo do arrependimento: “Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus” (Mateus 3:2; Marcos 1:4; Lucas 3:3; veja Mateus 4:17); o texto bíblico nos mostra que é uma condição para entrada no reino dos céus, isso tem a ver com o participar das coisas de cima – do céu, tanto no viver como no pensar (Colossenses 3:1,2,3). Só entende as coisas do céu aquele que arrependeu-se dos seus pecados e entregou-se aos cuidados do Senhor.
Uma vez arrependido diante do Senhor, o homem passa a viver a vida como: justificado, regenerado, e santificado. É o que veremos a seguir.
2. JUSTIFICAÇÃO
Justificação é um termo judicial que lembra um tribunal. Deus, o Supremo Juiz, absolve o pecador das suas transgressões e o declara justo, isto é, justificado: em vez de receber a sentença de condenação, o homem recebe a sentença de absolvição. Desta forma, Deus, o ofendido, reconcilia consigo mesmo o homem, o ofensor.
A atitude do pai diante da confissão do filho é por demais admirável: “O filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, já não sou digno de ser chamado teu filho”; admira-me a resposta do pai ao filho: NENHUMA. O pai nada disse ao filho em palavras, mas demonstrou seu perdão em atitudes elevadas. E o versículo que mais me chama atenção é: “Pois este meu FILHO estava morto, e reviveu, tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se”. A porta foi aberta por Deus. Vemos isso claramente nesta atitude do pai recebendo o filho pródigo: no momento em que o filho passou pela Porta, o passado se foi (2ª Coríntios 5:17). Não era necessário algum sermão exortativo e que fosse recheado de exemplos da vã maneira vivida pelo filho até então, mesclada com grande porte de moralidade para que o filho não viesse a errar novamente. Bradou o pai: ele REVIVEU! Foi ACHADO! Não havia nada mais importante a comemorar além da NOVA VIDA. Ninguém comemora a morte. Somente a vida é celebrada.
A justiça de Cristo, o Justo, é concedida ao ser humano, mediante a graça divina. Diz o texto bíblico: “Pois se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muitos mais os que recebem a abundância da graça, e o dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para a condenação, assim também por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens, para a justificação e vida. Pois como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” (Romanos 5: 17 até 19).
3. REGENERAÇÃO
Enquanto a justificação nos lembra um tribunal, a regeneração nos lembra “uma cena familiar” (Myer Pearlman). A alma morta em transgressões e ofensas, precisa duma nova vida, sendo esta concedida por um ato divino de regeneração. A pessoa, por conseguinte, torna-se herdeira de Deus e membro de sua família.
Regeneração é "a grande mudança que Deus opera na alma quando a vivifica; quando Ele a levanta da morte do pecado para a vida de justiça" (João Wesley). Alguém disse que a religião de Jesus Cristo é "a única religião no mundo que declara tomar a natureza decaída do homem e regenerá-la, colocando-a em contato com a vida de Deus" (Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Myer Pearlman). Todas as demais religiões procuram reformar o caráter, isto é, você continua com o mesmo caráter, e através de ritos, penitências e auto-ajuda, vai tentando progredir.
Com O Evangelho é diferente, ele não reforma, mas ele transforma a vida do homem por completo, isto é, somos gerado de novo: de pecador para santo (literalmente). Isto porque o Seu fundador, que é CRISTO, ESTÁ VIVO; somente ELE pode salvar perfeitamente (Hebreus 7:25). Leia os textos de Efésios 4: 25,28; Tiago 3:14; Colossenses 3:1 até 17; Filipenses 4:8.
Não existe nenhuma analogia entre a religião cristã, e, digamos, o Budismo ou a religião maometana. De maneira nenhuma se pode dizer: "quem tem Buda tem a vida". (Vide 1 João 5:12.) Buda pode ter algo em relação à moralidade. Pode estimular, causar impressão, ensinar, e guiar, mas nenhum elemento novo foi acrescido às almas que professam o Budismo. Tais religiões podem ser produtos do homem natural e moral. Mas o Cristianismo declara-se ser muito mais. Além das coisas de ordem natural e moral, o homem desfruta algo mais na Pessoa de Alguém mais, Jesus Cristo.
O filho pródigo chegou à casa do pai literalmente sem nada, tudo o que ele tinha era inaproveitável: as roupas, os calçados, o caráter. Mas o pai amorosamente lhe deu tudo novo, ele foi regenerado. O pai não costurou as peças de roupas, não levou o calçado para concerto, não lhe deu conselhos de positivismo para que viesse mudar seu pensamento, não fez nada disso. Tudo o que o filho pródigo ganhou no retorno à casa do Pai foi do melhor: a túnica era nova e a melhor, o anel, que representava uma nova aliança com o pai, era de ouro, o calçado era novo e o melhor, e o bezerro era cevado. Vemos a bondade do Pai em dar sempre o melhor para Seus filhos, essa atitude faz parte do caráter de Deus-Pai (Êxodo 3:8; Mateus 19:29; Lucas 11:13; 18:7). Antes, no pecado, como filho pródigo, éramos inimigos de Deus e servos do Diabo; agora, feitos justo, pela justiça de Cristo que foi concedida, ele nos torna membro da família divina, adotados como filho de Deus (João 1:12).
A chegada do filho pródigo em casa, e o perdão recebido incondicionalmente o colocaram na posição de filho – foi regenerado. Temos aqui algo que pode ser comparado com a mesma condição de Onésimo, o escravo fugitivo da carta de Filemon. Sobre Onésimo Paulo disse para que fosse recebido “não já como escravo, [mas] como irmão amado” (Filemon v. 16). É essa relação paternal (e como membro da Igreja) que muitos não tem entendido, pois além de chegarem à igreja sem arrependimento, não entendem, que estar em comunhão com a Igreja (o corpo de Cristo sobre a terra) e igreja onde congrega ou igreja local, os coloca sob as mesmas responsabilidades e os direitos em Cristo. A posição de filhos coloca todos os Cristãos como tendo a origem no mesmo Pai, através de Cristo, pois pelo Seu sangue tivemos redenção (Efésios 4:1-6).
4. SANTIFICAÇÃO
Vimos que justificação nos lembra um tribunal; a regeneração nos lembra uma cena familiar; a santificação nos lembra a figura de um templo – isto é, fomos salvo e a nossa vida se harmonizou com a Palavra de Deus, assim fomos adotados na família divina, e a gora passamos ao serviço cristão.
Assim como o perdão trouxe-lhe os benefícios de uma nova vida, já não precisava estar distante do lar, da mesa farta, do teto; também lhe exigia agora uma vida segundo a graça alcançada pelo Pai – não podia mais desejar as festas lá fora, as amizades e muito menos as alfarrobas. Era preciso esforço para se identificar cada vez mais com os princípios estabelecidos pelo Pai. É o que chamamos de santificação.
O início já tinha se dado no arrependimento, depois tornando santo através da justificação e da lavagem da regeneração, operada na conversão, Paulo disse: “[...] mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus” (1ª Coríntios. 6:11; veja Efésios 5:26; Hebreus 10:10; 13:12). Porém desse ponto em diante o que se dá (e que começou lá traz na decisão de voltar ao pai) é o processo santificador na vida do Cristão, é a constante mortificação das obras da carne para que o fruto do Espírito seja cada vez mais marcante, indelével (não pode ser apagado), firme no caráter do Cristão (Gálatas 5:16). É depois de passar pelo novo nascimento, da água e do Espírito, que o Cristão passa a andar e viver no Espírito (Romanos 8:1-17).
Entender a santificação não como um peso de dogmas e proibições, mas como um princípio divino e um privilégio dos que andam com Deus, é que faz a grande diferença entre o viver somente e o andar (conduta, princípio, dependência) segundo o Espírito. A santificação aponta para obra de Cristo na cruz, é lá, primeiramente, que todo o pecador arrependido é santificado (Hebreus 10:10-14); após isso, a santificação passa a ser uma experiência diária, pela qual todo o Cristão vai entendendo a vontade de Deus (Romanos 12:1-2; Filipenses 3:12-14). É nesse tempo que se dá a maturação, as experiências nos fazem crescer em Cristo, e o progresso espiritual torna cada vez mais patente a estatura de varão perfeito (2ª Pedro 1:3-8).
Conquanto vivamos uma vida de maturação, é bom entendermos que o processo santificador tem um alvo de alcance futuro, o que a carta aos Hebreus define como justos aperfeiçoados (Hebreus 12:22 até 24), e João faz uma declaração pelo Espírito de que seremos semelhantes a Cristo (1ª João 3:2).
Dessa forma vemos a santificação como a provisão de Deus para o Cristão; esta provisão se dá pela nossa identificação com Cristo em sua morte. “Precisamos subir à cruz com Ele, e de toda a nossa vontade renunciar ao ego que há causado todos os nossos distúrbios. A crucificação é o único meio de libertação” (Raimundo de Oliveira, 1994). Paulo deu entendimento sobre esta verdade quando disse: “Estou crucificado com Cristo, e já não vivo, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gálatas. 4:20).
O filho pródigo reconheceu a abundância na casa do Pai quando caiu em si, viu a sua miséria espiritual e foi em busca de perdão, reconciliando-se com o Pai. Antes, o Espírito nada podia fazer com relação à santificação em sua vida: estava no pecado, na podridão espiritual, no egoísmo. Quando ele tomou a decisão de retornar, já deu o primeiro passo da separação do pecado (2ª Timóteo 2:21), e ao mesmo tempo desejou o serviço na casa do Pai, isto é, queria identificar sua vida totalmente ao ideal do Espírito Santo (Romanos 12:1).

Este é um breve estudo com a base na parábola do filho pródigo. Muita coisa pode ser dita, no entanto, fica esta meditação, ainda que superficial, sobre a eficácia do poder salvífico de Deus na vida de quem crê. E de como é importante o Cristão andar com Deus, em comunhão com o Espírito Santo, para que lhe seja revelado a vontade de Deus.
Jesus encerra a parábola dizendo que o filho “estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado”.
Quando revivemos e somos achados, espiritualmente, é simplesmente o começo de uma grande obra de Deus.
“Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. [...] Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (João 7:38; 10:10).

Em Cristo,
Adriano Wink Fernandes

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O PROFETA SAMUEL E O NOSSO TEMPO

Samuel foi um filho, que por mais que tenha sido fruto de um voto diante de Deus, serviu na casa do Senhor chamado e levantado por Deus para o desempenho ministerial. Ana clamou por um filho, Deus lhe respondeu dando-lhe o filho e provendo-Se de um Sacerdote e Profeta.
Algumas coisas, porém nada de coincidência, nos fazem ver certa realidade do tempo de Samuel, no contexto espiritual e moral, com os nossos dias – os dias trabalhosos.
Vejamos o contexto da época:
1. Samuel foi servir no templo quando era criança, pois fora voto de gratidão de sua mãe entregá-lo ao serviço na casa do Senhor (I Sm. 1:11, 28; 2:11);
2. Samuel chegou à casa do Senhor em tempos turbulentos. Eli era o sacerdote – porém já sem autoridade; Hofni e Finéias estavam moralmente e espiritualmente depravados – a fama deles era horrível em Israel. Eram chamados de filhos de Belial, ou seja, homem vil; perverso de boca e de coração, que acena com olhos, mãos e pés; maquinador do mal e semeador de contendas (Pv. 6:12-14).
3. A glória – a presença de Deus – se afastara de Israel (I Sm. 4:20-22; 5:1-12; 6:1-12);
4. A nação de Israel estava acuada diante dos filisteus, e por causa disso, teve perdas significativas em duas batalhas – 34 mil homens de Israel, inclusive quando a arca do Senhor estava com eles (I Sm. 4:1-2; 10-11);
5. O povo estava de mãos dadas com a idolatria (I Sm. 7:3-4) – não servia ao Senhor de coração íntegro.
Samuel tinha tudo ao seu favor para ser um sacerdote relapso, dissoluto, corrupto e indiferente para com a seriedade da obra de Deus. No entanto escolheu não seguir os exemplos ao seu lado, mas ouvir a voz do Senhor e fazer o que o Senhor lhe ordenava. A bíblia registra que:
a. Em contraste com a ministração corrompida de Hofni e Finéias, pois faziam o que bem entendiam com as coisas sagradas, “Samuel, porém, ministrava perante o Senhor. [...] Crescia em estatura e em graça diante do Senhor e dos homens” (I Sm. 2:12-18,26).
Samuel procurou ouvir a voz do Senhor, entender o que o Senhor queria e seguir a vontade de Deus. Ministrar perante o Senhor denota integridade ministerial e moral, isto é, andava em retidão e justiça diante de Deus e dos homens. Acredito que não fora fácil para Samuel manter-se em postura firme pela verdade. Os homens que estavam corrompidos e corrompendo eram os da classe sacerdotal, juízes em Israel, e filhos do sacerdote Eli; Samuel, conquanto novo, teve a maturidade suficiente para ver que havia graves erros na conduta deles – eles não respeitavam as coisas sagradas, eles não obedeciam a Lei.
Estamos vivendo dias parecidos – se não iguais. Estamos em tempos de corrupção ministerial, infelizmente. Homens corrompidos estão corrompendo o sagrado ministério, isto é, não tem responsabilidade nenhuma com o ministério que lhes fora confiado pelo Senhor; em sua carnal sensualidade, secularizam o chamado ministerial, e estão fazendo o que bem entendem: negócios financeiros ilícitos e extrapolados; pecados morais ficam escondidos (adultério, fornicação, prostituição, homossexualismo, etc.); estão introduzindo – no culto, como também na vida quanto na prática ministerial – sutilmente, inovações que nada tem a ver com a Palavra e a direção do Espírito Santo; muitos estão guiando a igreja e ministrando (mais) através de (somente) capacidades naturais (politicamente, carisma, influência pessoal, poder) em detrimento da orientação do Espírito Santo.
b. Em tempos de escassez da Palavra e visões do Senhor, “Samuel servia ao Senhor” (I Sm. 3:1).
Samuel foi levantado por Deus e colocado na casa do Senhor porque o Senhor desejava trazer um reavivamento em Israel. Porém todo reavivamento tem que começar pelo altar e nunca pelo povo.
A raridade da Palavra do Senhor e das visões naquele tempo era devido à corrupção sacerdotal que se instalara deliberadamente em todo serviço na casa do Senhor.
Deus não tinha mais como operar através de sacerdotes corruptos. Hofni e Finéias não tinham nenhum respeito para com as coisas sagradas. Os sacrifícios eles assaltavam para satisfazer seus desejos, o que diz a bíblia ser “[...] muito grande o pecado destes moços” (I Sm. 2:12-17); além disso eles estavam envolvidos com pecados morais pois “tinham relações com as mulheres que serviam à porta da tenda da congregação” (I Sm. 2:22); diante de tudo isso a fama deles era péssima (I Sm. 2:24).
A fama está relacionada com aquilo que fazemos. Se fizermos coisas más, a fama será má, se fizermos coisas boas, a fama será boa; muitos tem escondido a má fama atrás de uma capa de santidade, mas a Bíblia diz que o pecado havendo concebido gera a morte, e que nada há escondido que não seja revelado. O povo não podia ouvir o que os sacerdotes tinham a dizer, pois o que eles faziam (a fama deles) falava mais alto do que o que eles diziam. O Senhor não os usava, já tinha os rejeitado, e a Palavra diz que “[...] o Senhor os queria matar”.
Há muitas igrejas em que a Palavra do Senhor – a pregação bíblica e cristocêntrica – é rara (quando não proibida), e as visões do Senhor há muito se foram. Isso é porque o ministério está corrompido. Não há mais temor no altar, como diz o hino: “parece que o pecado não é pecado mais; parece que o errar não é errado mais”. Hoje, muitas mensagens estão sendo deixadas de lado por que pode atingir homens (importantes, de fama), que mesmo no púlpito, estão envolvidos nos mais variados pecados; fazem parte do ministério, são pregadores, são ensinadores, mas estão com a vida embebida em pecado sobre pecado (Jd. 11-13) - mas não são Profetas!
Não se pode falar contra avalanche de divórcio, porque há obreiros, nos púlpitos, divorciados; não se pode falar contra os pecados morais (adultério, fornicação, prostituição, homossexualismo), porque há obreiros de mãos dadas com esses pecados, e muitas vezes se mexer com eles, poderá vir à tona pecados horríveis de outros; não se pode falar com relação à seriedade administrativa e/ou financeira porque, inclusive, a seriedade administrativa de muitas igrejas é dúbia; e assim por diante; não se pode falar a verdadeira doutrina, porque há muitos de mãos dadas com liberalismo teológico. Devido a algumas porções de ‘fermento’ negligenciadas no caminho, está havendo uma levedação quase que total.
A Palavra de Deus estava rara nos dias de Samuel porque os sacerdotes encontravam-se de mãos dadas com o pecado. Enquanto Hofni e Finéias estavam na prática dos mais variados pecados, Eli não tinha mais autoridade para detê-los. Por quê? Porque os honrava desta forma, Deus disse a Eli: “[...] por que honra a teus filhos mais do que a mim [...]?” (I Sm. 2:29). Há muitos obreiros que não estão praticando o pecado, mas que devido ao seu silêncio, pois não pregam contra, estão honrando os que tais coisas fazem. Honrar é colocar em evidência, é falar bem (sobre alguém, sobre algo), como pode ser também simplesmente deixar à vista, isto é, não se envolver. Honrar, biblicamente, não é, de forma alguma, lisonjear. Muitos perguntam: mas aquele não tem feito isso e isso? Como está ali (no púlpito)? Deus não se agrada com estas coisas, e a conseqüência é que a Palavra de Deus vai ficando rara e as visões – manifestações genuínas do Espírito Santo – com menos freqüência ainda (I Sm. 3:1).
Conheço obreiros que dizem não ser necessária a confissão de pecados, como o adultério, nem para o cônjuge e família, quanto mais para o ministério. Não sou defensor da confissão auricular, mas devido à gravidade de certos pecados, faz-se necessário a confissão (o pedido de perdão) diante do cônjuge e da família, e também diante do ministério. Uma vez imposta as mãos do ministério sobre alguém, jamais este será visto como comum entre o povo. Paulo disse ter alcançado misericórdia por ter reconhecido sua condição de pecador (I Tm. 1:16); Salomão recomenda a confissão e o abandono do pecado para alcançar misericórdia (Pv. 28:13). Há muitos, infelizmente obreiros, que macularam o leito, e continuam andando como se nada tivesse acontecido (Hb. 13:4). Continua o hino anterior “pecados encobertos Deus vai requerer, por isso muitos hoje estão a sofrer”.
Quando Acã pecou foi contra Deus, e o prejuízo veio sobre nação de Israel – foi punido e morto pela congregação. Josué poderia ter-lhe chamado para um cantinho e ‘negociado’ com ele – mas sabia Josué que isto não agradaria a Deus, e resultaria em decadência moral sobre Israel (Js. 7). Poderia Acã continuar sendo um guerreiro de moral se o seu pecado fosse encoberto, negociado? O que diria ele diante do pecado de algum irmão seu? Ficaria ele paciente sabendo que havia derrota sobre Israel por causa de algum pecado escondido? Por isso o pecado não pode ser encoberto. Pecados encobertos abrem as portas para frouxidão moral e espiritual, a autoridade entra em decadência (I Co. 5:6). A igreja em Corinto estava deliberadamente complacente com o pecado que grassava, mas Paulo os repreendeu e disse que os tais deviam ser punidos com a disciplina do Senhor; o silêncio dos corintos diante do pecado era porque estavam inchados, isto é, tomados de orgulho, e isto impedia de sentirem tristeza por causa do pecado (I Co. 5:1-6; cf. 6:1-11).
Hoje, perante a Constituição, somos repletos de regalias e apoio para fazermos o que quisermos, e ninguém pode falar nada; infelizmente muitos tomam atitudes, amparados na moral dos homens, esquecendo que a ética e moral cristã está muito acima de qualquer valor moral humano. Mas tenhamos cuidado! (I Co. 6:1-11). Deus não vai deixar de punir o pecado porque a Constituição não pune. A Palavra do Senhor não passará (Mt. 24:35; cf. Jr. 25:14; 51:56; Rm. 12:19), a lei da semeadura e da colheita é bíblica (Gl. 6:7). Podemos nos esconder, em artigos constitucionais, diante dos homens; mas perante Deus, jamais – Deus é onisciente, onipotente e onipresente (Sl. 139:7-16).
c. Diante da queda moral do sacerdócio, o povo de Israel “[...] conheceu que Samuel estava confirmado como Profeta do Senhor” (I Sm. 3:20).
A decadente situação que se encontrava o sacerdócio nos tempos de Eli refletia a necessidade de mudanças profundas e espirituais. Por mais que a situação fosse caótica, Deus estava no comando. O poder da oração vai muito além do que podemos imaginar. Enquanto Ana sentia-se grata a Deus por lhe dar um filho como resposta a sua oração, Deus havia escolhido o seu filho para por em ordem as coisas em Israel.
Tempos de crise são propícios para revelarem que são os corajosos para cuidarem dos negócios do Pai (Lc. 2:49).
O compromisso de Samuel era com Deus, com a Sua Palavra. Samuel não precisou punir os que estavam brincando com o ministério e com as coisas sagradas. Quem os puniu e os extirpou foi Deus (I Sm. 2:25-36; 4:11,17,18). A posição firme que Samuel precisou ter foi com relação à Palavra, o povo reconheceu Samuel como Profeta porque que a Palavra de Deus na sua boca era verdade, o Senhor honrava e não deixava as palavras de Samuel cair por terra (I Sm. 3:19-21).
As derrotas sofridas pelo povo de Israel diante dos filisteus revelam a confusão espiritual em que estavam. Foram derrotados inclusive com a Arca do Senhor no meio deles (I Sm. 4:4,10,11); o povo jubilou de forma tremenda e retumbante quando a Arca chegou no meio deles, mas na verdade, Deus não estava contente com eles, pois o coração de todos estava voltado para os ídolos e a prostitução. Dessa forma não houve vitória como esperavam, mas novamente foram derrotados, e de forma mais humilhante. Nem sempre os “júbilos” do culto corroboram a presença do Senhor. Vivemos tempo de muitos louvores e cânticos; porém pouca adoração, oração e Palavra!
Eles estavam vivendo uma sequidão espiritual. “[...] e toda a casa de Israel suspirava pelo Senhor” (I Sm. 7:2). Nesse tempo Samuel os conclama ao arrependimento e a reconciliação com Deus.
1. “Se de todo o vosso coração vos converteis ao Senhor”: o Senhor exigia uma conversão de coração, era mudança de atitude, de conduta, uma volta aos princípios da Palavra. Deus não estava contente com exterioridades; atitudes piedosas somente de aparência. Quando a Arca da aliança foi trazida de Siló, houve gritos, a terra estremeceu, houve voz de júbilo. Mas eram atitudes que revelavam um egocentrismo, o povo só queria a vitória sobre os filisteus, mas estavam distante da adoração genuína.
Deus somente é adorado em espírito e em verdade, isto é, adoração que parte de corações convertidos a Ele. Samuel os chamou à conversão, e conversão verdadeira revelava algumas atitudes na prática deles.
2. “tirai dentre vós os deuses estranhos e as astarotes”: o coração de Israel estava voltado para a idolatria. Eles queriam as bênçãos de Deus, mas não queriam largar a corrupção espiritual em que estavam envolvidos. Era muito cômodo para o eu de cada um, obter vitórias sobre os filisteus e continuar na prostituição com os deuses falsos – queriam estar livres do jugo dos filisteus, mas ao mesmo tempo, não queriam largar os deuses dos filisteus. Isto revela uma dicotomia espiritual anátema: ao mesmo tempo muitos querem as bênçãos de Deus e as benesses condenadas por Deus de um mundo decaído.
Tem muitos, nos dias de hoje, que vão à casa do Senhor buscar as bênçãos de Deus. Decretam, determinam, fazem campanhas de semanas ou dias, mas não querem um compromisso sério com a Palavra, pois a Palavra condena as suas obras más. Querem a bênção que lhes enriquece o eu e ao mesmo tempo andam de mãos dadas com adultério, a mentira, o roubo, a feitiçaria, a bebedeira, o divórcio, as falcatruas financeiras, e assim por diante. Se houver conversão genuína tudo que é estranho e condenável pela Palavra de Deus será extirpado.
3. “Preparai o vosso coração ao Senhor e servi a Ele só”: um coração convertido ao Senhor serve a Ele só.
Um dos aspectos da Salvação é santificação, e isto relaciona-se com o culto à Deus. O salvo dedica-se unicamente para as coisas do Senhor, isto é, em todas as práticas e atitudes o seu interesse é glorificar a Deus. Servir ao Senhor significa estar disposto e viver dedicadamente ao Serviço a Deus, e isto provoca no cristão uma entrega contínua e diária ao Seu Senhor. Israel não podia servir ao Senhor na conquista dos inimigos e, depois aliar-se ao inimigo e servir-lhe em todas as suas práticas – pois isso era abominação diante de Deus – Deus não aceitava isso.
Para muitos, avivamento é um emaranhado de inovações, de coisas novas a acontecer, mas na verdade não é bem assim. Avivamento, antes de tudo, é uma volta àquilo que foi abandonado por causa da secularização. Israel havia abandonado a verdadeira adoração; não andava mais perante o Senhor; não cultuava a Deus e muito menos respeitava as coisas do Senhor, conquanto ainda insistisse em querer as bênçãos de Deus.
Ao ouvirem as repreensões e exortações de Samuel eles resolveram tirar “dentre si os baalins e as astorotes, e serviram só ao Senhor” (I Sm. 7:4). Veja como foi simples! Não precisou de inovações e novas revelações, eles só tiveram que voltar ao que era antes: adorarem só ao Senhor; servirem só ao Senhor.
Muitos problemas não tem sido resolvidos nos arraiais da igreja por falta da Palavra. A porta está aberta para o caminho largo, para pecados tão grassos, porque está faltando Palavra, pregação bíblica, profecia, temos pregadores em abundância, mas Profeta do Senhor é coisa rara. Sem a Palavra não há conhecimento do Senhor. Quando Samuel os chamou ao arrependimento não fez aos gritos e a meias-palavras, mas falou-lhes a verdade, tocou-lhes a ferida; porém não ficou nisso, Samuel orou por eles, intercedeu por eles e se dispôs a oferecer sacrifícios em favor da vitória sobre os filisteus.
Um coração convertido se torna preparado para o serviço na casa do senhor, o passo seguinte é Deus quem dá, pois é um passo de vitórias sobre os inimigos. Após o arrependimento, Samuel pôde orar por eles, houve confissão, jejum (consagração, santificação) e houve uma grande e definitiva vitória sobre os filisteus (I Sm. 7:5-14).
Que o Senhor nos ajude a nos voltarmos para Sua Palavra. Acredito não ser tempo de bênçãos materiais, financeiras – e infelizmente isto está sendo tão desejado, tão buscado nos dias de hoje (quem busca em primeiro lugar o “reino e a sua justiça” tem sobre si essas Bênçãos [Mt 6:25-34]); o que estamos precisando é de Bênção espiritual em Cristo Jesus, para isso é necessário ter o coração convertido ao Senhor, desejar as coisas de cima, almejar a nossa pátria celestial, conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor.

Chega de inovação! Precisamos de avivamento bíblico!

Em Cristo
Adriano Wink Fernandes

domingo, 5 de abril de 2009

VOCÊ PRECISA CRER (1)

ESTUDO COM BASE NA PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO
(EVANGELHO DE LUCAS 15: 11 ATÉ 32)
Objetivo: Entender a partir da parábola do filho pródigo, quatro aspectos doutrinários que envolvem a salvação:
1) arrependimento; 2) justificação; 3) regeneração; e 4) santificação.
As três parábolas de Lucas 15 mostram a necessidade que temos de crer ou de guardar muito bem em que e por que se crê.
As parábolas, da ovelha perdida, da dracma perdida e do filho pródigo, são uma resposta ao espírito inquiridor e desprovido de misericórdia dos fariseus e escribas (Lucas. 15:1-3). Jesus mostra-lhes a razão do seu ministério entre os espiritualmente perdidos e o porquê se assentava e comia com pecadores das mais variadas estirpes.
Para Cristo, assentar e comer junto era algo prazeroso. O que Jesus queria era aprofundar o relacionamento com as pessoas. Era esse o tipo de envolvimento de Cristo com os pecadores que incomodava os religiosos. Tais atitudes e práticas, para os referidos religiosos, eram por demais antiéticas frente ao ‘alto padrão’ prático-religioso da ‘pura’ casta legalista.
Tanto a parábola da ovelha perdida como a da dracma perdida mostram a involuntariedade nas atitudes: a ovelha se perdeu, porém não porque quis, mas saiu procurar alimento mais longe e se viu em lugares desconhecidos, penhascos e outros lugarejos perigosos e infestados de inimigos que lhe impunham medo frente a sua fragilidade, e aí entra a sensibilidade espiritual do pastor que sentiu sua falta e saiu ao seu encontro.
A dracma perdida descreve a infelicidade de uma mulher que perde algo de muito valor, e por mais que tivesse outras nove não se contenta enquanto não acha a única perdida; também não perdeu voluntariamente, mas talvez por um acidente de percurso, um descuido, um piscar de olhos, no entanto empenhou-se até achar, e após, fez uma grande festa, pois o júbilo do encontro não poderia ser gozado a sós.
A terceira parábola, a do filho pródigo, nos remete a pensar mais profundo, com mais acuricidade, pois mostra liberdade voluntária e deliberada em uma importante decisão. O maior problema do filho sonhador não foi a sua saída e os problemas em que se envolveu fora de casa. Gastar o que levou não trouxe nenhum prejuízo financeiro ao pai, pois era sua herança, ele tinha direito adquirido legalmente sobre o que pediu. O problema crucial do moço foi a sua incredulidade enquanto estava na fartura. Estava cego para o óbvio. No momento em que ele começou a olhar por cima do muro, seus olhos começaram a cegar para a feliz realidade presente, bem junto de si: na mesa farta, na cama, no convívio familiar; suas emoções quiseram extravasar além fronteiras paternas, pois a razão dizia-lhe que a felicidade pode extrapolar sem medo, sem temor de qualquer coisa. O problema não consistia em sonhar e ter uma visão mais aguçada e de maior alcance, mas sim, na sua decisão imatura e a sua certeza duvidosa de que o verdadeiro prazer estava em emoções ainda desconhecidas, mostrou-se falto de juízo, diz Salomão:
“Da janela da minha casa olhei por minhas grades. Vi entre os simples,
descobri entre os jovens, um falto de juízo”
(Provérbios. 7: 6-7 – ver todo o capítulo).
Não soube o pobre moço confrontar situações tão antagônicas: uma que ele vivia e sabia como era e, a outra distante, sem conhecimento, somente fruto de uma mente sonhadora e talvez influenciada por amigos oportunistas, utilitaristas.
É com base na terceira parábola que escrevo: você precisa crer.
A CONFIANÇA
Confiança é fruto de relacionamento. Ninguém confia no que não conhece – mesmo entre irmãos, a confiança vai sendo aprofundada na medida em que há convivência, os laços se entrelaçam à medida que há convivência sadia, que se conhece.
Deus nos proporciona em Cristo um relacionamento fiel e verdadeiro. O Espírito Santo foi deixado com a Igreja para que conhecêssemos as maravilhas da Sua Palavra. É o Espírito Santo que nos leva a um relacionamento íntimo com Deus revelando-nos as coisas de Deus (1ª Coríntios. 2:10,12,16). No entanto se faz necessário ter confiança em Deus em todas as circunstâncias. Se nos momentos de aperto corremos em busca de socorro urgente, nos momentos de bonança é tempo de permanecer firme e convicto de que somente em Cristo podemos todas as coisas (Filipenses. 4:13).
A confiança do filho pródigo se mostrou infrutífera, fraca, ignóbil, no momento da fartura, da bonança, do aconchego junto ao lar. É este o maior perigo a ser enfrentado pelo Cristão – quando todas as coisas vão bem (1ª Coríntios. 10:12).
O perigo mesmo, não é quando estamos passando por momentos de crises e dificuldades, pois estes nos ‘empurram’ para um lugar seguro, mas sim, quando todas as coisas vão bem, tudo ocorre de uma forma alegre e descontraída. O filho pródigo estava desfrutando de paz e de regalias quando tomou a decisão de sair de casa e desfrutar antecipadamente da sua herança. Por vezes nos reservamos a falar somente aos problemáticos, aos que estão passando por vales em qualquer área da vida. No entanto a Palavra de Deus nos adverte para estarmos atentos e vigilantes em qualquer momento, a posição do cristão, com relação às investidas do diabo, deve de sobriedade, vigilância, resistência, e sempre firmados na fé (1ª Pedro 5:8-9).
O filho pródigo achou o ‘gramado do vizinho’ mais verde; a liberdade fora dos portais de casa mais atraente, mais livre; a festa ‘lá fora’ melhor do que o banquete do lar; as amizades bem mais confiáveis do que ombro da família. Os atrativos foram tantos que o filho pródigo realmente achou que estava perdendo muito tempo em ficar em casa por mais alguns momentos. Provou estar desequilibrado em suas emoções e equivocado em suas ponderações (Provérbios 4:26-27). Os dois filhos (o pródigo e o mais velho) não conseguiram ver o que estava para deleite de ambos. A revelação do pai ao mais velho “todas as minhas coisas são tuas” valia também para o filho dissoluto. Este também não viu as riquezas que estavam ao seu alcance quando estava junto da família.
Há muitos hoje como esses dois filhos: um sai achando que aproveitará maiores riquezas fora do Caminho Verdadeiro – Jesus, outros estão juntos no Caminho (andando, mas não vivendo), cegos pela incredulidade e pela falta de conhecimento. Sem conhecimento falta experiência e, sem experiência não há maturação da confiança, já que esta está intimamente liga à esperança (Romanos 5:4).
A falta de conhecimento da Palavra reflete um resultado de inanição espiritual, porquanto quem não conhece a Palavra de Deus, muito menos conhecerá o Deus da Palavra. É na Bíblia que temos a recomendação e exortação para desejar o alimento espiritual; empregar diligência no crescimento em Cristo; ousar, pelo Sangue de Cristo em entrar em oração diante do Pai; buscar e pensar nas coisas de cima (1ª Pedro. 2:2-5; 2ª Pedro. 1:2-11; Hebreus. 10:19-23; 4:16; Efésios 3:11-12; Colossenses. 3:1-3).
Muitas vezes, por falta de esforço em conhecermos os benefícios da reconciliação em Cristo, e reconhecermos a nossa suficiência nEle, concluímos que as nossas bênçãos e maiores riquezas estão fora dos cuidados e do olhar do Pai. A queda do filho pródigo e a murmuração do irmão mais velho foram resultados de uma ignorância deliberada em relação aos direitos adquiridos pela filiação.
A DECISÃO
O filho mais moço da parábola tomou duas decisões movido por emoções vãs e um espírito desequilibrado: Salomão disse que “A soberba precede a ruína, e altivez do espírito, a queda” (Provérbios. 16:18).
Jesus não diz que houve alguma resistência do pai diante do pedido do filho. A primeira decisão: “O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E o pai repartiu os bens entre os dois”. É salutar pensar que o pai tentou argüir com o filho e mostrar o perigo de tal decisão, e ainda, que o pai já viesse admoestando o filho há dias dos perigos para os quais a sua mente jovial e inexperiente estava se voltando. Todo o pai é (pelo menos deve ser) de mais experiência e ter maior visão do que o filho; deve enxergar os perigos nos quais o filho esteja a se embaraçar (Mateus. 13:52). Porém o filho da parábola não ‘deu a mínima’ para o que o velho tinha a dizer.
Após, ele vai para a segunda decisão, que consistia em partir e ‘desfrutar’ da herança recebida: “Poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntado tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente”.
A imaturidade do moço é vista na palavra ‘dissolutamente’. Dissoluto significa devasso, corrupto. Calvino referindo-se diz “tornamo-nos assim quando nos apartamos da palavra do Senhor, quando damos ouvidos às falsas doutrinas, quando nos abandonamos às superstições; quando, em suma, nos transviamos após nossos próprios planos, e não mantemos nossos pensamentos sob a autoridade da palavra do Senhor”. No grego é διεσκόρπισεν (diekóptisen) que significa espalhar, dissipar em várias direções, esbanjar, neste caso denota atitude rebelde, insubmissa e imatura. Essa mesma palavra é usada quando Cristo foi preso (“as ovelhas se dispersarão” Marcos. 14:27), nessa noite os discípulos foram dispersos em várias direções, espalharam-se como que desnorteados – não entenderam o que lhes fora dito quando andavam com Cristo, e na hora necessária a confiança foi abalada. Temo-la também mostrando a dispersão provocada pelo pecado que dispersou a humanidade de Deus e é reunida unicamente pela morte de Cristo (“andavam dispersos” João. 11:52); e ainda na dispersão que houve após a morte de Judas, o galileu, que segundo a história intitulava-se messias (“dispersos e reduzidos a nada” Atos. 5:36) – foi morto (provavelmente crucificado) pelo Império Romano que não aceitava um messias.
Em todas estas passagens citadas, a palavra dissoluto está ligada à decepção sofrida após uma decisão tomada ou uma experiência vivida. Em nenhum contexto salienta a confiança do homem, mas sempre parte de uma posição negativa (do homem), uma tomada de decisão precipitada ou resolvida, deliberada pela pressão das circunstâncias a que estava anteriormente confiada.
A decisão do moço foi em direção à queda, ao prejuízo, ao pecado. Poderíamos dizer que ele se auto-decepcionou, isto é, ele desviou a sua visão do que era bom, não confiou nas palavras e conselhos do pai e partiu segundo a sua própria razão.
PROPORÇÕES DA QUEDA
Toda decisão tomada, como a do filho pródigo, traz resultados desastrosos.
Este moço experimentou os degraus de uma queda sem precedente em sua vida. Nos primeiros degraus ele se achou nas asas da liberdade, intencionou galgar os mais altos caminhos da tão sonhada liberdade, pois a sua decisão se deu porque achou que estava preso, sem poder participar de coisas mais picantes e mais atraentes para a idade tão jovial.
Salomão falou dos perigos da pressa em várias circunstâncias da vida: em correr para o mal, em litigar ou disputar, em enriquecer, em falar diante de Deus, em irar-se (Provérbios 6;16,18; 25:8; 28:20; Eclesiastes 5:2; 7:9). O filho pródigo tinha todas estas coisas em seu caminho, o que podia ser evitado se ele tivesse ouvido a voz paternal; não soube honrar aos pais (Efésios 6:2,3). Certamente os conselhos paternos lhe advertiam (Provérbios 1; 4:1-10; 6:16-19), mas ele não deu ouvido, estava com o pé no degrau da obstinação, desejando dar o próximo passo ao degrau do egoísmo, enquanto ansiava colocar o pé no decisivo degrau da separação, para que pudesse rapidamente chegar ao pico: o degrau da sensualidade.
O convite do diabo jamais mostra as proporções da queda. Primeiramente ele enche o coração do incauto com promessas por demais irrecusáveis à carne que as anseia. São ilusórias promessas de ascensão, fantasiadas de uma falsa liberdade, alimentadas por uma visão que mais é miragem do que qualquer realidade, porém não pode ser discernida por quem deixou os ouvidos moucos para paternos conselhos exortativos (1ª Samuel 2:23-25; Provérbios 9:9-12; 13:1; 15:16,17; 25:28). O filho pródigo obstinou-se de tal forma que abraçou o egoísmo, vendo em sua frente que a principal decisão para a sonhada liberdade era a separação familiar e, dessa forma poderia ter tudo ao seu dispor: galera, festas, orgias, noitadas. Eram as efêmeras alegrias da sensualidade. Infelizmente um caminho de morte, a atração da concupiscência (Tiago 1:13-15). Salomão, inspirado pelo Espírito Santo, escrevera sobre este engano (Provérbios 14:12; 6:25).
A proporção da queda estava por vir; o pobre filho jamais pensava que suas escolhas dariam em lugares tenebrosos. Enquanto as fantasias lhe mostraram coisas coloridas, a realidade lhe reservava coisas desastrosas. Na sua mente entenebrecida e embebida pela sensualidade pensava o pobre moço que seu espírito se regozijava, porém o que estava a viver era a destruição espiritual: a fome lhe apontou aberta a porta da necessidade e infelizmente ele teve que entrar por ela; começou ele a sentir quão miserável é o degrau da humilhação (sob o comando do diabo) e que inevitavelmente o levou ao próximo degrau, o degrau da fome. Passados alguns dias ele cai em si e reconhece que a sua decisão foi desastrosa – antes ele sentia-se preso, conquanto estava livre na casa do pai; agora ele estava vivendo a tão sonhada liberdade, porém preso em seu espírito. É aqui que ele vê que todos os degraus foram pintados com falsos coloridos e falsas promessas, e na verdade nenhum deles era degrau de crescimento, mas somente de queda, que a certa altura virou em descida brusca ao abismo da solidão e do desespero: “Pois o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23).

Continua...