quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O BOM NOME - PROVÉRBIOS 22:1

As virtudes de uma pessoa são profundamente interessantes. Toda pessoa gosta de ser conhecida como bondosa, amável, gentil, sincera entre outras. Salomão fala de algo interessante, e que pela qual a fama é conhecida: o bom nome.

O rei não se refere ao nome em si, mas, é claro, à pessoa. Muitas vezes, quando nos referimos a nome de certas pessoas não se precisa dizer o que fez, pois o nome, por si só, já diz tudo sobre a pessoa. Nero, Domiciano, Hitler, Mussolini, Judas... o nome de cada um destes basta para termos um sensação de tristeza e lembrarmos de atrocidades, maldades e traição. O nome destas pessoas ficou na história, e somente na história, ou seja, ninguém quis colocar ou ter esse nome para um filho.

Na cultura judaica o nome estava intimamente ligado ao caráter da pessoa, ou alguma atividade. Jacó significa enganador, e realmente ele era; Moisés significa salvo das águas. Saulo tinha seu nome relacionado à violência, extermínio, perseguição, crueldade, vilipêndio, pois fora um dos maiores perseguidores da Igreja: levantou-se contra Deus, contra a Igreja de Deus, e contra o Caminho.

Muitos tem seu nome ligado às dívidas, pois é mau pagador; ou calúnia, injúria, visto estar sempre depreciando os outros, em favor próprio; outros são traidores, como Judas, pois tem a arte de levantar o calcanhar, inclusive contra próprios amigos; alguns tem o seu nome ligado à mentira, porquanto vivem mentindo.

Ter um bom nome é algo trabalhoso, exige cuidado, labor, suor. Neste tempo de relativismo moral, de hedonismo, de busca pelo prazer, parece que o bom nome não tem mais valor. Mas para o cristão, ter um bom nome deve ser um alvo constante.

A Bíblia é rica de princípios, mandamentos, valores, doutrinas, que se observadas nos dão as condições necessárias para se ter um bom nome. Muitas vezes nossas atitudes sujam o nosso nome, mas isto pode ser mudado pela ação do poder gracioso de Deus.

Jacó tinha o nome ligado ao engano, mas após um encontro com Deus, seu caráter foi transformado e seu nome foi mudado; Saulo era temido em só ouvir o seu nome, mas depois de um encontro com Cristo, teve sua vida transformada e o seu nome fora mudado.

O versículo traz um contraste interessante de idéias: o bom nome é melhor que as riquezas, e ser estimado é melhor do que prata a ouro. Veja bem, o bom nome e ser estimado andam juntos. Ambos são melhor do que qualquer riqueza terrena.

Em Cristo

Adriano Fernandes

quarta-feira, 2 de junho de 2010

AS PROFUNDEZAS DE DEUS OU APENAS A SUPERFÍCIE?

Charles R. Swindoll em seu livro Jó, com base em Jó 11:7,8 traz uma colocação interessante.
"[...] Você está buscando conhecer as profundezas de Deus, ou fica apenas na superfície? Só você sabe a resposta. Nossa cultura atual é tão ocupada que nos tornamos especialistas em fingimento. Pode parecer que estamos nos aprofundando quando na verdade apenas evitamos discutir o assunto. Você deve então responder por si mesmo. Está procurando conhecer as profundezas de Deus? Ou percebe que está apenas comparecendo a uma porção de encontros religiosos, e aprendendo toda a linguagem aparentemente religiosa?
Em um dos últimos livros de Larry Crabb, com o título Chega de Regras, ele descreve o seguinte:
No sentido da cultura, o cristianismo de nossos dias redefiniu a maturidade espiritual. Os reformadores sabiam que fomos salvos para dar glória a Deus. Nó, modernos, vivemos para ser abençoados. Os amadurecidos dentre nós são agora considerados bem-sucedidos, felizes, pessoas competentes, estão em evidência e se dão bem (...) Somos mais atraídos por sermões, livros e conferências que revelam os segredos da satisfação (...) do que pela direção espiritual que nos leva através da aflição à presença do Pai (...) Parecemos mais interessados em ter uma existência confortável do que permitir que Deus nos transforme espiritualmente mediante as dificuldades da vida.
Isso nos atinge frontalmente, não é? Não fuja das dificuldades. Não procure um amigo que o ajude a sair delas rapidamente. Permaneça nelas. O Senhor Deus o fará atravessá-las. Como resultado, você deixa de escorregar. Essa pergunta é para você responder: você está buscando as profundezas de Deus, ou está apenas tocando a superfície?"

Jó - Um homem de tolerância heróica - p. 150-151
Mundo Cristão

Que o Senhor nos ajude!


segunda-feira, 31 de maio de 2010

O AMOR. SEM ELE É IMPOSSÍVEL UMA IGREJA SAUDÁVEL.

A vida cristã é norteada pelo supremo mandamento do amor. Esse tem sua origem em Deus. Não é uma inovação, é a verdade suprema que emana do Eterno!

Não lei mosaica encontramos a máxima para os relacionamentos: “Não te vingará nem guardarás ódio contra a gente do teu povo; pelo contrário, amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor” (Lv. 19:18). Jesus corroborou o mandamento, quando em uma oportunidade corrigiu o erro legalista em que, os fariseus, transformaram o mandamento do amor.

Para estes, o mandamento do amor tinha validade somente para os arrolados no círculo farisaico – o grupo dos fariseus; os que estivessem fora deste círculo não passava de um ‘am haarez, ou seja povo comum. E o pior de tudo isso é que na convicção deles “tratava-se de uma inimizade por causa de Deus”, ou seja, estavam prestando um culto a Deus.

Na Carta aos Romanos, Paulo penetra em uma profundidade ainda maior, e amplia, pela revelação do Espírito, a grandiosidade do mandamento. Na verdade o mandamento do amor deve ser o regente para todas as ações na vida do cristão – das questões de foro íntimo até as questões da moral e da ética desta moral.

As desavenças, politicagens, brigas ministeriais, e tantas outras questões que a cada dia afloram no meio evangélico são obras de pessoas controladas pela carne, pelos desejos irrefreáveis de um coração desprovido do amor. Isto é, são pessoas que não são transformadas pelo poder regenerador do Evangelho da cruz, ou que paulatinamente distanciam-se deste Evangelho.

No versículo oito de Romanos treze lemos: “Não fiqueis devendo coisa alguma a ninguém”. Veja que isso é cumprimento da lei, segue o versículo “[...] pois quem ama o próximo tem cumprido a lei”. Quem ama cumpre a lei (e não ao contrário) – isso só é possível para quem tem a vida transformada; já está comprovado que o ato de cumprir a lei não leva ninguém a amar o próximo. Os fariseus procuravam andar por esse caminho, mas alimentavam o ódio em seus corações: “Ouvistes o que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo” (Mt. 5:43).

A questão bíblica “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” tem um alcance que envolve todas as áreas da vida. Aquele que ama jamais a de compactuar com adultério; também não matará ninguém; no mesmo nível tem a questão de jamais furtar, ou ainda cobiçar.

Ninguém conseguirá cumprir esse mandamento com esforço próprio, é preciso estar revestido das armas da luz (Rm. 13:12).

A falta do amor é uma prova incontestável de que a pessoa está mergulhada na noite espiritual. Paulo cita algumas características de quem está em trevas espirituais: “Vivamos de modo decente, como quem vive de dia: não em orgias e bebedeiras, não em imoralidade sexual e depravação, não em discórdias e inveja” (Rm. 13:13).

Quanta coisa que estamos vendo que nos deixam estarrecidos – isso no meio evangélico. Vivemos o tempo de um evangelho mesquinho, do toma lá dá cá, de desejos fúteis, e alvos pessoais e cheios de cobiça.

Os púlpitos de muitas igrejas (refiro-me as várias matizes denominacionais) estão afogados no pecado, pois pensam mais “em como atender aos desejos da carne” (Rm. 13:14b). Onde era para abundar pureza, o adultério está fazendo festa no carrossel da imoralidade sexual; em lugar de gerar vidas pela pregação da Palavra está havendo morte espiritual; a ganância pelas riquezas está abundando os púlpitos de pregações dinheiristas e ofertas negociadas; e a cobiça por mais poder está corroendo ministérios, convenções e outras instituições eclesiásticas; e multiplica-se a tudo isso a depravação, discórdias e inveja.

Nada mais urgente do que um verdadeiro arrependimento para haver um despertamento do sono espiritual em que muitos estão, e a volta genuína a preocupação bíblica e santa com relação a salvação, pois esta está “agora mais perto do que no início, quando cremos” (Rm. 13:11). Só assim é possível estar revestido de Jesus Cristo, e nada do que é terreno desviará o foco do alvo: Cristo, o Senhor que virá!

Que Deus nos ajude! Amém.

Adriano Wink Fernandes

domingo, 30 de maio de 2010

A PRESSA DE JACÓ!

O Senhor muitas vezes quer falar conosco, mas nos recusamos a ouvir-lhe. Por quê? – Estamos com pressa!

A bíblia diz que Deus é longânimo; não se apressa; não age como nós agimos; espera. Sempre trabalha com propósito; em nenhum momento temos a descrição bíblica ou histórica de que Deus tenha feito algo e tenha errado o alvo ou, tenha se enganado no seu plano – com Deus jamais acontece isso!

A vida de Jacó nos oferece algumas lições pelas quais podemos aprender preciosidades espirituais para nossa caminhada com Deus nestes dias atuais. Às vezes nós queremos ir por onde vai a maioria, porém o Senhor deseja que sigamos o Seu plano perfeito para nós. Da maioria o Senhor não se agradou e houve morte no deserto (I Co. 10:5).

Jacó foi um homem apressado desde o ventre (podemos dizer), no nascimento saiu agarrado ao calcanhar de seu irmão Esaú (Gn. 25:26). Teve seu bacharelado em pressa quando astutamente ‘comprou’ o direito de primogenitura de Esaú. Aproveitando-se do descuido de seu irmão, apressadamente o incentivou a negociar a primogenitura e apressadamente fez o guisado, e enquanto Esaú comia gostoso, Jacó saiu rindo... apressadamente. Claro que Esaú errou em desprezar a primogenitura (Hb. 12:16); foi uma atitude precipitada, impensada e que não teve volta, mesmo buscando com lágrimas – devemos pensar bem sobre as bênçãos do Senhor (Gn. 27:36; cf. Hb. 12:17). Porém o que Jacó realmente queria era apressar a bênção sobre a sua vida. Mas não pára por aí. Jacó ainda fez doutorado em pressa e isso se deu quando ajudado pela sua mãe Rebeca ele engana seu pai Isaque, e rouba a bênção patriarcal sobre Esaú. A coisa foi tão ‘bem’ feita que ele teve que ir para longe, em outras paragens, em outras ‘empresas’ colocar em prática seus ‘estudos formativos’.

A pressa é um inimigo astuto. Todo homem tem que aprender a lidar com esta atitude. Todos têm pressa. Temos pressa para subir rapidamente na vida; pressa para o cumprimento das promessas de Deus sobre nós dentro do nosso tempo – e esse tempo sempre está fora do tempo de Deus, pois achamos que Deus está demorando, está atrasado –, queremos ver a ‘justiça’ triunfando rapidamente quando diz a nosso respeito e será para ganho nosso, enfim... a pressa é algo que sempre queremos ter ao nosso favor quando conta pontos positivos para nós. Uma das definições de pressa é precipitação, irreflexão. Seja ao nosso favor ou não a pressa sempre causa algum prejuízo.

A pressa de Jacó em receber as bênçãos o fez caminhar na contramão. Ele caminhou por muito tempo fugindo de Deus. Um encontro com Deus era o necessário para mudar as atitudes de Jacó. Como Deus ‘não se mete’ na vida de ninguém, deixou Jacó caminhar livremente. Jacó fez e fez acontecer. Porém chegou um dia que ele teve que parar para ouvir o que Deus tinha a dizer. Foi aí que as coisas começaram a tomar a direção certa.

1. A pressa prende o homem à fuga

A primeira coisa que aconteceu com Jacó após estas investidas apressadamente foi que ele teve que fugir da sua casa e ir para Padã-Arã, casa de Betuel, pai de sua mãe e ali refugiar-se, pois a ira de seu irmão era de morte – Esaú só estava esperando a morte de Isaque (Gn. 27:42-43). Aqui ele torna-se um homem apressado preso à fuga, pois se não fugisse a morte era certa.

Atitudes egocêntricas e impensadas nos levam a tomar decisões apressadas. Colocam-nos em fuga. Quando fizemos algo apressado nós temos algo a consertar e enquanto não houver o conserto, não há bênção completa. Por mais que Jacó saísse obediente e sob a bênção do pai (Gn. 28:3-5,7), a pressa era uma atitude pessoal, estava impregnada em seu caráter e precisava ser resolvida. Quando? Quando ele parasse de andar segundo o seu coração – com pressa.

2. A pressa não deixa ouvir a voz de deus

Jacó saiu apressado e com o coração palpitante. Cai o crepúsculo, o sol se põe, chega à noite. Já não tem o lugar protegido para dormir. Faz de uma pedra o seu travesseiro e do céu o seu teto. Desejou que a noite passasse apressadamente, pois seria longa demais e seu coração teme pelo pior. As paragens são desconhecidas e enquanto o seu coração chora saudoso pelo lar, sua consciência martela suas irrefletidas atitudes. Mas não tem outro jeito – a pressa lhe trouxe a primeira noite longe do lar. É um lugar terrível e que provoca arrepios e temor.

O cansaço lhe faz dormir. O sonho vem. É lindo! Sonha com anjos. Deus fala com ele. Promete-lhe segurança; renova a promessa abraâmica. É um a noite memorável. Digna de um tributo a Deus em forma de coluna. Sua gratidão é muito grande. Porém ele não conseguiu ouvir a voz de Deus no mais íntimo do seu ser, pois estava afogado por atitudes apressadas. O que ele ouviu, já sabia. Ele queria que se cumprisse a promessa de Deus “estender-te-ás ao ocidente, ao oriente, ao norte e ao sul”. Talvez dissesse: - Deus... vamos fazer isso acontecer. Jacó ouviu com os ouvidos a mesma promessa feita a Abraão, porém não conseguiu ouvir com os ouvidos da fé, com a alma e o espírito, como a ouviu Abraão.

Jacó votou. Mas foi um voto negociado. Ele disse “Se Deus for comigo”. Essa expressão denota falta de fé na Palavra. Ele acabara de ouvir (do próprio Senhor) a mesma promessa que foi feita a Abraão, porém seus ouvidos espirituais estavam moucos. Veja bem que ele diz que o Senhor seria o seu Deus diante de tais e tais circunstâncias: se... me guardar, me der pão, me der vestes, me der paz... o Senhor será o meu Deus... e certamente te darei o dízimo. O apressado põe suas necessidades em primeiro lugar. Ele visa primeiro o seu lucro, primeiro o que é visível, o que está em frente ao olho – ‘a olho nu’. Dificilmente se toma uma atitude de fé diante da pressa. Tenho pressa da bênção, mas não consigo esperar no sábio e silencioso trabalhar de Deus!

3. A pressa não deixa ter paz

Jacó levanta-se e segue a viagem. Está nas terras dos filhos do oriente. Vê os pastores com fortes e bonitos rebanhos. Descobre que por ali é a terra de destino. Cobiça os rebanhos e quando os seus olhos vêem Raquel a ama no coração e, certamente no seu íntimo já pensa num meio de negociar para tê-la como esposa. Ela realmente é linda. Seus olhos o encantam. Seu jeito gentil lhe cativa por demais. Sua voz é suave e denota respeito e educação. A cansada viagem não é sentida quando se depara com a linda Raquel de Labão. Certamente pensou ter encontrado o descanso que sua alma angustiada tanto desejou. Na casa da moça é bem recebido. Há abraços, beijos e lágrimas, entre júbilos e saudades. Tudo se renova. Porém ele ainda continuava apressado.

Negocia com Labão e trabalha apressadamente sete anos, que, por fim, parecem sete dias, por Raquel. Na sua pressa ele enganou, ele trapaceou e, agora a lei da semeadura chegou e ele é enganado, é lhe dado Lia, a primogênita. Indigna-se. Não desiste e trabalha mais sete anos por Raquel e daí a toma como esposa. Ama-a demais. Porém sua vida familiar é de disputas intermináveis entre Lia e Raquel. Enquanto aquela lhe dava filhos, essa amargava a esterilidade. São tempos penosos. Trabalho forçado para enriquecer Labão e tristezas quando chega ao lar. A pressa na vida e pela vida lhe roubou a tranqüilidade. E de tanto sofrer lhe conduziu por caminhos de angústias e tristezas. A pressa lhe enriqueceu, mas não o deixou ter paz.

Certamente ele chegou à triste conclusão: quando caminhamos apressados, fizemos coisas apressadas. Podemos ganhar muito, mas somos atribulados. A decisão final na casa do sogro também é tomada às pressas, e assim ele foge, indo em direção de Gileade – região pedregosa.

4. A pressa, Deus pode detê-la

O ser humano sempre gostou de decisões próprias. Tem gosto por tomar decisões em que leve vantagem. Caminha por muito tempo sob seu próprio ego. Enfrenta difíceis momentos e sai deles como alguém capaz de administrar todas as coisas na sua vida. Acha-se auto-suficiente. Preparado para enfrentar até o próprio Deus.

Assim caminhou Jacó. Mas Deus tem seus meios de trabalhar. E aonde Deus conseguiu falar com Jacó de modo que ele ouvisse foi no vale; ali ele se prostrou; estava entre o ribeiro e o inimigo, no caso Esaú, com seu forte exército (Gn. 32:6). O encontro era inevitável, e a consciência palpitava as duras atitudes apressadas de anos atrás. Em sua mente passa o filme de sua vida: atitudes apressadas – pressa, engano, fuga... pressa, engano, fuga... e o ciclo se repetia. Atitudes apressadas levam o homem a caminhar fora do plano divino. Nada é mais deprimente do que o encontro do homem consigo mesmo. Para o cristão esse encontro se dá quando ele se vê na menina dos olhos de Deus – ali ele enxerga a sua miséria, seu estado lastimável – e vê, mas vê mesmo que ele nada é, e nesse momento o que mais deseja é a morte.

Quando Jacó sabe do inevitável re-encontro com Esaú ele estremece. Bate o desespero. Porém é interessante notar que aqui Jacó na age com pressa. Aqui ele troca a pressa pela cautela, vejo isso como o início da humilhação, um grito de socorro, ainda que com medo e pavor, mas brotava da alma angustiada, inerme, pusilânime, um grito de dependência (Gn. 32:9-11). É momento de lembrar-se das promessas de Deus (Gn. 32:12). É momento de ordenar as coisas e enviar presentes para aplacar a ira do irmão Esaú (Gn. 32:13-21). Mas o máxime momento ainda estava por vir: o momento do encontro com Deus, onde o caráter seria descoberto e após a confissão, Deus mudaria o rumo das coisas e aplainaria os caminhos pedregosos de uma vida amargurada por decisões apressadas e enganosas.

Jaboque. Nome sugestivo para um encontro. Região de limites, aqui era o limite das terras dos filhos de Amom e da tribo de Gade (Dt. 3:16). Para Jacó era o limite de sua vida velha e o encontro com a nova vida sob a bênção completa de Deus. Aqui acontece, e marca toda a história de Israel, o encontro mais dramático do importante patriarca da nação de Israel. É nessa noite memorável que Deus ‘consegue’ ter a atenção que sempre quis de Jacó. Foi uma luta travada a noite toda. A bíblia não descreve a teor da batalha, não dá detalhes do diálogo travado entre o homem e Jacó (Gn. 32:24). Talvez Jacó não quisesse reconhecer sua fragilidade, sua vida de engano, de trapaças, de fugitivo, de apressado, não sabemos como se deu a luta. Porém temos a mais profunda pergunta: “qual é o teu nome?” Essa pergunta tocou o profundo da alma do homem Jacó, aqui desmoronou sua coragem e descortinou-se seu coração amargurado.

O ápice é a confissão: “Jacó!”. Agora Jacó consegue ver Peniel que quer dizer A face de Deus. Essa lição é por demais importante: ninguém consegue ver a face de Deus sem primeiro confessar quem é. Quando confessamos quem somos, é o grande momento, aí Deus trabalha no caráter. Só depois disso temos a condição de nos encontramos com o inimigo, humilhar-nos e correr para o encontro do perdão (Gn. 33:3-4), é o momento de deitarmos fora ídolos, removermos a poeira do deserto, é momento de roupas novas. Depois disso é momento de altares edificados (Gn. 35:1,7), de obediência irrestrita: “Então disse Deus a Jacó: levanta-te, sobe a Betel [...] disse Jacó: levantemo-nos e subamos [...] (Gn. 35:1-3), é momento de concerto (Gn. 35:2), e promessas renovadas (Gn. 35:9-12), é o lugar chamado Betel: lugar onde Deus fala!

Em Cristo

Adriano Wink Fernandes

terça-feira, 18 de maio de 2010

JEFTÉ E OS "JEFTÉS" DE HOJE

Jefté gostava de votos, acordos ou negociações. Ele acordou com os anciãos de Gileade que seria seu chefe caso ganhasse a batalha contra os amonitas. O acordo foi selado e ele liderou-os na batalha (Jz. 11:4-11).

Já comandante ele intentou, através de mensageiros, por duas vezes, entrar em acordo com o rei dos amonitas, e dessa forma resolver a questão. Na primeira vez ele recebeu resposta, já na segunda, o rei dos amonitas não lhe deu ouvidos (Jz. 11:13,28).

Nos acordos acima parece não haver nada de anormal. Por mais que tenha tido boas intenções, num ele foi bem sucedido, no outro não.

A sua terceira atitude não foi propriamente um acordo, mas um voto diante de Deus. E é nesse voto que temos preciosas lições espirituais para nós nos dias de hoje, pois tem muito crente fazendo voto, campanha, plantando, semeando, se ungindo, se auto-profetizando, sem ao menos ver se a Palavra de Deus corrobora tais ações, ou se há necessidade disso.

Assim como o voto de Jefté era desnecessário, muito do que se vê no meio evangélico nos dias de hoje é terminantemente inútil.

Assim como Jefté deveria ter ficado somente com a Palavra e a direção do Espírito (Jz. 11:29), para receber a vitória (Jz. 11:32-33), devemos nós hoje.

Paulo disse que nada temos para que possamos dar a Deus primeiro (Rm. 11:35). Deus viu a nossa nudez espiritual e providenciou a redenção; Deus viu a nossa desgraça por completo e nos mostrou a necessidade de buscarmos o Reino acima de todas as coisas, pois deseja Ele nos acrescer de bênçãos necessárias para o dia-a-dia (Mt. 6:25-34).

Portanto não se precisa de uma infinidade de misticismos e sincretismos para sermos vitoriosos espiritualmente. A bem da verdade as campanhas, votos, e semeaduras com que somos todos os dias instigados e desafiados a fazer, visam somente as coisas daqui e nada mais.

Por fim deixo meu conselho: pare de correr atrás de campanha disso ou daquilo; pare de jejuar e orar objetivando as coisas daqui – busque o Reino primeiro; pare de desejar uma vida sem problemas, pois quem deseja a Cristo, deseja também se unir aos sofrimentos dEle (Rm. 8:17,18); pare de ir à igreja para Deus resolver os problemas do teu casamento, dos teus negócios, da tua empresa, e para isso apegar-se a campanhas e determinações positivistas; ao invés disso, humilhe-se diante de Deus, arrependido confesse o pecado que está no coração, e deseje ser uma nova criatura em Cristo (II Co. 5:17).

Por fim temos o trágico cumprimento do voto de Jefté. Leia: “Logo que a viu, ele rasgou as vestes e gritou: Ai de mim, filha minha! Estou muito abatido e tu é a causa da minha desgraça, pois fiz um voto ao Senhor e não posso voltar atrás” (Jz. 11:35). Era um voto desnecessário, e repito, como é desnecessário muito do que se está fazendo no meio evangélico nos dias de hoje.

Mudança de vida, soluções dos vários problemas não são alcançadas porque fizemos votos ou campanhas. Mas porque nos dobramos humilhados em obediência à inerrante Palavra de Deus, e nos deixemos ao moldar do Espírito Santo. A Palavra diz que Ele nos transformará até chegar à medida da estatura de Cristo (Fp. 1:6), e para isso Ele usa a Palavra (Ef. 4:11-16).

Em Cristo

Adriano Fernandes