sexta-feira, 10 de outubro de 2008

SALMO 40:1-3


SALMO 40

"Ao mestre da música. Um salmo tão precioso foi entregue de modo especial ao mais hábil dos músicos sacros. A música mais nobre deve ser tributada a um assunto incomparável. A dedicatória mostra que o cântico foi feito para o culto público, e não foi composto para hino pessoal, como poderia se supor do emprego da primeira pessoa do singular. Um salmo de Davi. Conclusivo quanto à autoria: elevado pelo Espírito Santo à região de profecia, Davi foi honrado ao escrever com respeito de um muitíssimo maior do que ele próprio”(Spurgeon).

UMA ORAÇÃO DE DEPENDÊNCIA

O Salmo 40 inicia com uma clara declaração da oração feita e da resposta confiantemente esperada: “[...] Ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor”. A oração tem destino certo na vida do cristão: é dirigida ao Pai; a resposta também tem sua direção: vem do Pai para o filho que clama.

O inicio do Salmo nos mostra que há um tratamento de lapidação no caráter de quem ora, pois a resposta nem sempre é obtida de forma rápida e no tempo que humanamente precisamos. O homem que ora (todo o Cristão deve fazer isso) deve ter em mente que Deus resposnde segundo seu eterno e alto propósito para vida do Cristão. A paciência na espera já denota dependência e a certeza de que Ele ouve. O Senhor sabe da limitação humana e, de que muitas vezes nossas angústias são frutos de nossa impossibilidade de descansar, de confiar, de olhar para Sua eterna Soberania e de que em tudo Ele sabe o que faz, inclusive na aparente demorada resposta. No entanto o Senhor não se apressa para ‘nos livrar da angústia’, Ele deseja e trabalha para que passemos todas as fases necessárias ao amadurecimento do caráter segundo Cristo em nós.

"ESPEREI COM PACIÊNCIA PELO SENHOR"

A oração deve estar intimamente associada ao nosso reconhecimento de quem Deus É. Davi reconhecia Deus como o seu Senhor. Senhor dirige o nosso pensamento Àquele que tem o nome admirável sobre a terra (Sl. 8:1), que coordena e conhece todas as coisas; que merece nossa confiança; a quem deve ser dirigdo os clamores, intercessões, petições, orações.

A chegada do cristão ao trono da graça (Hb. 4:16; 10:19-22) já é uma prova de que temos esperança – de que esperamos algo. A esperança tem um ponto de partida, isto é, ela é a prova de que desejamos alguma coisa, de que temos em mente alcançarmos um objetivo, de que há algo em nossos desejos que apontam a necessidade de alcançar um alvo, uma vitória, um prêmio, uma solução, uma resposta. Na verdade não há esperança sem um objetivo, sem um alvo.

A esperança, no sentido bílbico cristão, é a virtude que vem após a fé depositada em Cristo (Rm. 5:2), não podemos definir quanto a isso, nem tempo, nem espaço. É algo realizado no espírito humano, por obra do Espírito Santo, e está intimamente ligada ao sacrifício de Cristo pelos nossos pecados (Rm. 4:25). Assim vemos que a origem da verdadeira esperança está em Cristo.

Paulo mostra que nós fomos justificados pela fé, conduzidos mansamente a paz por meio de Jesus Cristo, e levados amorosamente à sala da esperança na grandeza de Deus (Rm. 5:1-2). Dessa forma fica claro que a esperança, entre a fé e o amor, é a virtude que começa a fazer parte da vida do Cristão desde o seu primeiro passo de fé (I Co. 13:13).

O Cristão, ao nascer de novo, entra no caminho da esperança ajudado pelo Espírito Santo (Rm. 15:13). Porém a esperança é uma virtude que está no início da caminhada, dessa forma, ainda imatura, e é aperfeiçoada no decorrer da peregrinação, passando pelo caminho: das tribulações, da perseverança, da experiência, e esses três momentos ancorados na esperança e ao mesmo tempo em direção à esperança aperfeiçoada (Rm. 5:2-4); no escrever do Apóstolo, uma esperança abundante: “[...] para que abundeis na esperança pelo poder do Espírito Santo” (Rm. 15:13).

A esperança tem alvo, e quando obtemos a resposta é inconfundível, não tem confusão, muito menos qualquer sombra de dúvida (Rm. 5:5). A esperança traz consigo a convicção.

Todo o Cristão espera: vitórias nas tribulações; vencer o inimigo; manter-se em pé; ser cheio do Espírito Santo; ser guiado pelo Espírito Santo; ter vitória pessoal, familiar; a volta de Cristo. Na verdade a vida cristã é um viver e um andar em esperança.

Davi confessa que esperou pelo Senhor. A sua espera foi ou não um tanto longa, já que muitas vezes o homem mede as coisas pela angústia, pela urgência de uma resposta diante de uma determinada situação de infortúnio. Mas ele esperou com paciência: “Esperei com paciência pelo Senhor [...]”, a esperança de Davi estava fundamentada em Deus - ... pelo Senhor; é uma demosntração de total dependência; é a prova de que Davi conhecia sua estrutura psicológica e emocional; reconhecia Deus como Criador e como Aquele que conhece a estrutura humana (Sl. 139:23; 139:15-16; 103:14; 138:7-8). A Bíblia registra semelhante espera do Patriarca Abraão: “E assim, tendo a Abraão esperado com paicência, alcançou a promessa” (Hb. 6:15).

Paulo falou que a verdadeira esperança consiste em esperar algo que não vemos, e esta esperança se dá com paciência (Rm. 8:25). A esperança cristã é baseada unicamente na promessa divina.

Os Apóstolos Tiago e Pedro usam a palavra perseverança. Perseverança é paciência, firmeza, fortaleza, e está ligada à esperança, pois só se persevera em algo que se espera, que tenha resultados benéficos. Tiago falou que enquanto a fé é provada a perseverança é desenvolvida, isto é, o Cristão se fortalece, se firma, aprende a paciência. A perseverança tem um alvo pré-definido no propósito de Deus para seus filhos e deve ter o seu fim alcançado, ao contrário haverá falta (Tg. 1:2-4; II Pe. 1:3-9). É importante notar o objetivo do agir de Deus: “Ora, a perseverança deve terminar a sua obra, para que sejais maduros e completos, não tendo falta de coisa alguma” (Tg. 1:4 – grifo meu).

Na espera paciente e perseverante deve o Cristão ter em mente, que a sua missão vai além túmulo, assim não podemos ver as aflições e provações como algo somente para esta vida, mas como um preparo para agora e para a eternidade (II Pe. 1:10-11).

“Ele se inclinou... e ouviu o meu clamor”A resposta de Deus é certa quando o Cristão clama. O Senhor olha aquém e além das nossas capacidades. Sua grandeza e soberania não o limitam quanto ao ouvir e responder as orações a Ele dirigidas, conquanto sejamos fracos e falhos.

A grandeza de Deus não é somente vista em Suas infinitas, conhecidas ou desconhecidas obras; mas também em Sua alegria em responder aos Seus filhos. Isaías diz que Ele vivifica os abatidos de espírito e os de coração contrito (Is. 57:15; 66:2; Sl. 51:17). Na verdade a angústia do filho clamando ao Pai faz com que se revele cada vez mais e de forma mais profunda à nossa finita mente os cuidados do Pai.

O ato de clamar mostra que o Cristão precisa do socorro divino. Revela a fragilidade do homem e a grandeza de Deus. E é a isso que Deus prazeirosamente se inclina para ouvir e responder segundo Seu grande e terno amor.

“TIROU-ME DE UM LAGO HORRÍVEL, DE UM CHARCO DE LODO... FIRMOU OS MEUS PÉS”

A condição em que se encontrava Davi era bastante difícil. Sua situação era de abandono e em lugar de extrema necessidade.

Talvez questionamos o porquê Deus nos permite estar em situação assim. O lago horrível e o charco de lodo apontam para um momento muito difícil e a incapacidade de poder vencer por si só. Foi dessas condições que Davi clamou, buscou socorro; era um momento de desespero e urgente acolhimento. Spurgeon diz que há um certo tipo de aranha que faz uma cova na areia, aloja-se no fundo e fica à espreita esperando os insetos que caem ali. Talvez em condição semelhante encontrava-se Davi: perdido num lamaçal onde o inimigo estava a escondida procurando lhe tragar.

A espera, por vezes parece ser um tanto antagônica, isto é, parece haver imcompatíbilidade da resposta em relação ao que pedimos: sabemos o que pedimos e nos angustiamos diante de Deus com as angústias que nos movem a alma, mas não sabemos como será a resposta do Senhor, e Ele geralmente nos surpreende com a Sua resposta, pois Ele opera além do que pedimos ou pensamos (Ef. 3:20; cf. Is. 55:8; Jr. 29:11). Conquanto “não sabemos o que havemos de pedir como convém” (Rm. 8:26), Deus não conhece somente nossas necessidades descritas, mas conhece muito além delas; Deus responde segundo a intenção do Espírito Santo que por nós intercede (Rm. 8:26-27).

Os benefícios da resposta pacientemente esperada transcendem as perspectivas humanas. A angústia de Davi e sua paciente espera parecem que tinham minado os seus pés: a fé e a esperança. Via-se ele trêmulo e apavorado diante de terríveis provações e a aparente quietude de Deus. Mas, porém quando Deus responde, Ele o faz de forma que toda a estrutura de Davi seja restaurada, sua fé é reavivada, reafirmada em Deus e sua esperança é totalmente correspondida.

A fé e a esperança, como pés, fala de uma estrutura espiritual que só poder ser firmada na Rocha, e essa Rocha é Cristo. Não existe verdadeira fé e esperança fora dEle. Davi, pela revelação do Espírito, aponta para Aquele que é poderoso para nos firmar, para ser a base amovível da nossa confiança. Quando Davi obteve a resposta, isto é, a intervenção divina, obteve o seguro necessário que sua alma anelava: de um lago horrível para firmeza dos pés na Rocha; de um charco de lodo para um caminhar de passos firmes. Era tudo o que Davi precisava, era a resposta perfeita diante de uma espera paciente.

“PÔS UM NOVO CÂNTICO NA MINHA BOCA, UM HINO DE LOUVOR”

Como disse acima, a resposta de Deus vai além do que pensamos ou pedimos. Davi rejuvenesceu-se por completo quando viu os seus pés firmes e seus passos em direção segura. Porém Deus tinha mais, muito mais.

Por vezes no meio do vendaval o cântico se torna um murmúrio de clamor e gemidos. São momentos em que a adoração é externada numa confiança depositada no Deus que pode redimir. Coré ansiava pela presença constante de Deus, desejava o Seu amor de dia, e na noite escura da prova, dizia, que a oração seria a sua canção (Sl. 42:8).

O novo cântico, o hino de louvor, falam do júbilo renovado. A alma de Davi se viu em emaranhados de angústias e apertos, porém agora se via a cantar o cântico da vitória, era um cântico totalmente novo, até o momento desconhecido para ele, era o cântico que veio pelo Espírito Santo; o hino que exaltava a Deus como criador, remidor, sustentador, ouvidor, renovador, soberano, onisciente, onipresente, onipotente. Só Ele é capaz de firmar os pés daquele que nEle confia.

São louvores que vem para confirmar a vitória, e ainda revigorar para novas conquistas em nome do Senhor. Semelhante cântico e semelhante hino tiveram Moisés e Miriam (Ex. 15:1-22); Josué e Israel (Js. 6:15-16); Débora e Baraque (Jz. 5:1-32); Jesus Cristo (Mt. 26:30); Paulo e Silas (At. 16:25).

A vitória do Cristão vai além dos seus limites, ela exlata ao Senhor e torna o nome de Deus ainda mais conhecido e temido: “[...] Muitos o verão, e temerão, e confiarão no Senhor”.

É essa vitória que o Senhor tem para os salvos! Quem espera com paciência pelo Senhor é bem-aventurado!

Em Cristo,
Adriano Wink Fernandes

sábado, 12 de julho de 2008

FILIPENSES 4:13


“POSSO TODAS AS COISAS NAQUELE QUE ME FORTALECE”.
Apóstolo Paulo – Filipenses 4:13

Creio por convicção que nada que está escrito na Palavra de Deus é por um acaso das circunstâncias; ou como afirmações positivas (tão louvadas nesse tempo presente) para se conseguir um estado mental no qual se impregne um sentimento positivo de conforto e vitória, porém passivo de desmoronamento a qualquer momento. Todo o estudo da Palavra de Deus deve ser (a meu ver) tomado com muita seriedade e, buscado com a ajuda do Espírito Santo um entendimento que nos leve não só a compreender, mas também aceitar e viver aquilo que nos é comunicado pelo Espírito do Senhor, o que certamente conduzirá ao crescimento individual, e conduzirá à unidade do Corpo de Cristo: “[...] mantendo unido à Cabeça, do qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo com o aumento concedido por Deus” (Cl. 2:19; cf. 4:11-13 e Fp. 1:6).
Sendo assim, podemos ver que há um propósito de Deus em cada acontecimento: vitórias, lutas, provações (Rm. 8:28). Dessa forma, para entendermos como Paulo chegou a tão nobre e profunda declaração se faz necessário uma pesquisa na vida do Apóstolo como também um estudo sobre como e em quais circunstâncias o evangelho chegou a Colônia de Filipos, na Macedônia, e o que cooperou para a maturação dos crentes ali.
A CIDADE DE FILIPOS
Seu nome origina-se de Filipe da Macedônia, que a conquistou dos tásios cerca do ano 300 a.C. Era rica em mineração e ouro, e ali se faziam moedas cunhadas com o nome de Filipe. Após a batalha Pidna, em 168 a.C. a cidade foi anexada pelos romanos. A partir daí passa a ser (a primeira) Colônia Romana para a qual César enviou veteranos soldados romanos e deu a todos os habitantes o título de cidadão do Império romano, o que causou grande orgulho em todo o povo (At. 16:21).
Porém, para o nosso estudo, Filipos tem uma importância bem mais elevada e de imensurável profundidade do que a anterior citada. É de grande relevância no contexto do evangelho, pois, foi a primeira cidade da Europa em que Paulo pregou o Evangelho. E isto se deu, na segunda viagem missionária, por uma visão do Espírito Santo: “Paulo teve de noite uma visão em que se apresentou um homem da Macedônia, que lhe rogava: Passa à Macedônia, e ajuda-nos [...] Filipos, a primeira cidade dessa região da Macedônia” (At. 16:9,12). É importante notar que esta visão mudou totalmente os planos de Paulo e Silas, acompanhados por Timóteo, pois a Macedônia não estava nos planos e talvez nem no coração deles para essa ou outras viagens (At. 16:6-8).
O INÍCIO DOS TRABALHOS EM FILIPOS
Em Atos capítulo 16 temos registros de como o Evangelho chegou a Filipos. Como já dissemos Paulo, Silas e Timóteo foram até a Macedônia em virtude de uma visão do Espírito Santo. Certamente acompanhava-os nesta viagem o médico Lucas, autor do livro de Atos.
O registro nos traz que estiveram alguns dias na cidade de Filipos: “Dali para Filipos, a primeira cidade dessa região da Macedônia, e é uma colônia. Estivemos alguns dias nesta cidade” (At. 16:12). Quantos dias não sabemos, mas o tempo suficiente para se travar batalhas ferrenhas contra as forças espirituais da maldade, o que lhes causou grandes perseguições e até prisão, mas que não desfaleceram. Como eles estavam exclusivamente para o trabalho do Senhor, ocuparam-se em anunciar as Boas Novas, oração e louvor (At. 16:13,16,25), o que deixa claro que não havia tempo para qualquer outra coisa, o que, se acontecesse seria um desvio da visão que salientava, em rogos, ajuda-nos. A palavra rogar significa chamar ao lado, era um clamor que denotava urgência e exigia pronto atendimento, o que houve: “Logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho” (At. 16:10).
AS AFLIÇÕES DE PAULO E A SUA VISÃO ESPIRITUAL
“Pois vos foi concedido, por amor de Cristo, não somente o crer nele, como também o padecer por ele, tendo o mesmo combate que já e mim vistes e agora ouvis que é meu” (Fp. 1:29). Já vemos aqui uma marca indelével da razão do versículo em estudo (Fp. 4:13).
Paulo mostra que somente crer em Cristo é pouco para o cristão: O verbo ἐχαρίσθη (aoristo da voz passiva de χαρίxw) tem como significado “dar graciosamente; Deus nos outorgou o privilégio do sofrimento por amor a Cristo; este é o sinal mais seguro de que Ele olha por vocês com benevolência”. Somente com este versículo se derruba por terra uma série de heresias e doutrinas de homens que se tem levantado nos dias de hoje dizendo que o cristão está imune ao sofrimento; não pode passar por necessidades e (até) ousam dizer que se isto tiver acontecendo é por causa de algum pecado.
O Apóstolo só aprendeu o que aprendeu, e pode transmitir à igreja com segurança a Palavra de Deus, e ser exemplo para a Igreja porque experimentou o que lhe foi concedido por Cristo: “[...] pois todos vós fostes participantes da minha graça, tanto nas minhas prisões como na minha defesa e confirmação do evangelho. E quero irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior avanço do evangelho. De maneira que as minhas cadeias, em Cristo, se tornaram conhecidas de toda a guarda pretoriana e de todos os demais. Muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com minhas cadeias, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor” (Fp. 1:9,12-14).
Um estudo do livro de Atos leva-nos a profundas descobertas de como Paulo (e a Igreja) encarou todas as perseguições. Em nenhum momento o Apóstolo colocou em dúvida o que havia aprendido “[...] para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp. 1:21). Os mais belos louvores em toda a palavra vieram após experiências profundas de livramento ou após momentos intimidade com Deus. Revelam-nos profundamente o caráter de Deus, e o que Ele pode fazer. Não são de forma alguma declarações de efeito, positivismo ou determinação humana diante da soberania divina.
A Bíblia é riquíssima do agir de Deus em momentos de extrema exaustão humana:
1. Hagar, após um momento de angústia, é animada pelo anjo do Senhor e diz: “[...] Tu é Deus que vê, pois disse ela: agora olhei para Aquele que me vê” (Gn. 16:13);
2. Abraão após estar no monte Moriá em obediência ao Senhor diz: “[...] chamou Abraão aquele lugar de o Senhor proverá. Daí dizer-se até o dia de hoje: no monte do Senhor se proverá” (Gn. 22:14);
3. Moisés após a sua experiência com Deus no deserto de Mídia ouviu o Senhor lhe dizer: “EU O QUE SOU [...] EU SOU me enviou a vós” (Ex. 3:14);
4. Miriã, após a travessia do mar cantou: “Cantai ao Senhor, pois sumamente se exaltou, e lançou no mar, o cavalo com seu cavaleiro” (Ex. 15:21);
5. Débora após grande livramento do Senhor entoou um cântico exaltando a Deus pelo Seu grande livramento (Jz. 5);
6. Habacuque escrevendo sobre a grandeza de Deus, revela que mesmo em profundas crises ou momentos de desespero pode dizer pela fé: “[...] o Senhor é a minha força” (Hc. 3:17-19)
Poderíamos citar numerosas passagens onde se vê claramente a mão poderosa de Deus operando a favor dos seus filhos. Vemos em cada versículo a revelação da grandeza de Deus.
Dessa forma podemos entender porque recebemos graciosamente o padecer por Cristo. Tudo aquilo que o Senhor opera em nós é para crescimento, para aprofundamento dos alicerces da nossa vida espiritual na Rocha Perfeita. O que quis mostrar com os exemplos acima é que não haveria tais registros se Deus não tivesse enviado as provações, as dificuldades, os inimigos, as lágrimas. É importante notar que o operar de Deus vai além do nosso entendimento racional, Ele sempre quer elevar a nossa confiança a níveis superiores e em nós glorificar o Seu nome (I Pe. 1:6,7). Tiago nos revela pelo Espírito Santo que a prova da nossa fé passa por um processo de desenvolvimento nos conduzindo à maturidade a tal ponto de não termos falta coisa alguma (Tg. 1:2-4).
As provações são para o aperfeiçoamento do caráter do cristão. Quando entendidos pela perspectiva do Espírito Santo – isso em atitude de oração e dependência – trazem resultados que vão além do que podemos imaginar. O que o Senhor opera em nós sempre alcança aos outros membros do Corpo de Cristo (Ef. 4:16).
A IGREJA DE FILIPOS
A igreja de Filipos foi amadurecendo a medida que teve experiências com Deus através das provações. O Espírito Santo havia iniciado neles uma obra de maturação que culminaria no dia Cristo. Ao lermos a seqüência da carta veremos que esta obra passava pelos caminhos da provação, e que havia iniciado ainda lá na segunda viagem missionária; ainda nos primeiros passos da fé já presenciaram como era a vida com Cristo: crer nEle e padecer por Ele.
Paulo mostra-lhes que havia muitos adversários, os quais deveriam ser enfrentados simplesmente portando-se conforme o Evangelho. Esse portar é uma exigência que se refere ao amor, discernimento, frutos de justiça, firmeza e unidade em espírito, ânimo e fé no evangelho; veja que não é um enfretamento, mas sim, uma posição firme em Cristo, e Paulo reforça seu conselho dizendo que eles já haviam visto estas coisas em seu combate.
Paulo procura comunicar-lhes a supremacia do senhorio de Cristo, mostrando quem Ele era e como se portou para conduzir os pecadores à posição de filhos legítimos de Deus, e que, devido a isso tinham eles responsabilidades com relação ao processo do crescimento espiritual.
A palavra efetuar (2:12) é usada para mostrar aos filipenses que eles tinham responsabilidades com relação ao desenvolvimento da salvação na vida de cada um e da própria igreja; é uma palavra que salienta que toda ação gera (produz) um resultado (II Co. 7:10; 9:11), o mesmo pensamento revelado é reforçado por Tiago: “Pelo que, despojando-vos de toda a impureza e de todo o vestígio do mal, recebei com mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas” (Tg. 1:21). O Apóstolo mostra que os filipenses deveriam ter uma atitude baseada no exemplo de Cristo, do que Ele era e fez: esvaziamento (que nos fala de renúncia), serviço (que fala dEle como servo), obediência e humilhação (morte de cruz – renúncia).
O pensamento amplia-se a medida que Paulo comunica-lhes o conhecimento de Cristo, que vale muito mais que confiar na carne, isto é, em benefícios que poderiam ter devido a posição alcançada ou de nascimento, mas que se desfaz diante da fé genuína em Cristo (Fp. 3:1-11); apontando-lhes a pessoa de Cristo Jesus como alvo perfeito, o qual deve ser buscado e alcançado por todo aquele que um dia abraçou a fé.
Paulo os aconselha que sejam seus imitadores e façam o que tinham nele visto, e em 4:14 diz que eles tomaram parte, isto é, foram co-participantes, compartilharam das aflições do Apóstolo, o que nos mostra que a igreja entendeu claramente o que o Espírito Santo lhes comunicou por meio de Paulo, e que entenderam bem que o padecer por Cristo produz eterno peso de glória, acima de toda a comparação, é o que podemos ler no v.19 “E o meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo a Sua gloriosa riqueza em Cristo Jesus”.
Pelos ensinos e revelações do Espírito Santo à Igreja de Filipos, posso ver que era uma igreja que pôde ver Paulo e Timóteo realmente como servos de Cristo Jesus (Fp. 1:1), e que não somente os escritos moldaram a vida deles em Cristo, mas também o exemplo visto em Paulo, Timóteo e Epafrodito. Entenderam tenazmente que aquilo que foi escrito era o que estes homens tinham vivido, e que tanto o regozijar como o sofrer por Cristo levava aos mais excelentes momentos incomparáveis e eternos em glória.
O ALCANDE DA DECLARAÇÃO PAULINA
A declaração paulina “posso todas as coisas naquele que me fortalece” não foi simplesmente um pensamento que ‘caiu do céu’ ou algo dito num momento de elevo poético. De forma alguma. Paulo diz depois de muitas cadeias, açoites, perseguições, traições, frio, fome, sede, fartura, necessidade, abandono. Creio que este versículo terá o mesmo efeito na nossa vida se deixarmos o trabalhar do Espírito Santo em nós, nos levar pelos mesmos caminhos os quais Paulo (e tantos outros) passou, e que antes dele, Cristo já havia passado “Porque naquilo que Ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (Hb. 2:18; ver I Co. 11:1; Fp. 1:6).
Deus não quer que simplesmente decoremos alguns versículos que achamos ‘bonitos, interessantes’, mas Ele quer que a Palavra tenha efeito completo em nós, realmente produza fé em nós, amadureça-nos, levando a comunhão íntima com o Espírito Santo, e seja abundante na vida do cristão (Cl. 3:16). E esse caminho não é tão fácil assim, passa pelos escarpados caminhos das lágrimas (Rm. 5:1-5). O capítulo 4 de II Coríntios nos traz uma profunda revelação das provações e, vale a pena transcrever os últimos versículos: “Por isso não desfalecemos. Ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Pois a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda a comparação. Portanto, nós não atentamos nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem. Pois as que se vêem são temporais, e as que não se vêem são eternas” (II Co. 4:16-18).
Quando falo em alcance da declaração paulina, me reporto também as experiências dos irmãos do Antigo Testamento. Eles também foram forjados na fornalha da aflição. Passaram sede, fome, enfrentaram inimigos ferozes, estiveram escondidos em cavernas, foram execrados, humilhados, desprezados, mas em meio a tudo isto ele puderam cantar hinos de vitória, veja o que disse Jó: “Eu sei que o meu Redentor vive, e por fim se levantará sobre a terra. [...] vê-lo-ei por mim mesmo, com os meus próprios olhos. Como o meu coração anseia dentro de mim” (Jó 19:25,27; cf. 42:5).
Hebreus 11 descreve (com exemplos) a importância de nos submetermos ao Senhorio de Cristo. A verdade é que Deus tem revelado coisas profundas, no cadinho do sofrimento, através da vida de seus filhos. Foi na confiança, a fé firmada em Deus, que nas mais duras provas e circunstâncias adversas houve sacrifícios mais excelentes; trasladação; Noé herdou a justiça; Abraão peregrinou por terra estranha sem saber para onde ia e confiou que das cinzas Deus ressuscitaria Isaque; Sara foi rejuvenescida para ser mãe; desejavam uma pátria melhor; Moisés foi escondido e quando crescido recusou a dinastia de Faraó, veja o que diz o texto: “Teve por maiores riquezas o opróbrio de Cristo do que os tesouros do Egito, porque tinha em vista a recompensa” (Hb. 11:26 – grifo meu); atravessaram o mar Vermelho; derrubaram muros; da fraqueza tiraram forças; escaparam do fogo; tornaram-se poderosos na batalha. A Palavra de Deus é tremenda, e creio que estes também poderiam dizer “posso todas as coisas naquele que me fortalece”, pois viveram a cada momento na dependência dEle!
A declaração paulina tem um alcance para nós nos dias de hoje, mas não simplesmente para dizermos o que ele disse, mas vivermos de tal forma e podermos dizer com conhecimento e experiências em Cristo dadas pelo Espírito Santo que realmente é Ele que nos fortalece. Sem passarmos por (duras e marcantes) provas não poderemos dizer o que disse o Apóstolo.
Nessa conclusão vale a pena citar o que dize A.W. Tozer: "Deus não pode usar ao máximo uma pessoa enquanto esta não for profundamente ferida".
É necessário “não somente o crer nele, como também o padecer por ele”, para depois, com ousadia no Espírito Santo dizermos “Posso todas as coisas Naquele que me fortalece”.

Em Cristo,
Adriano Wink Fernandes
awinkfernandes@terra.com.br